Volume de crédito cresceu 1,1% em março
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segunda-feira, 26 de abril de 2004
Renato Andrade e Gustavo Freire<br> Agência Estado 
Brasília - O Banco Central registrou em março mais um tímido crescimento no volume de crédito concedido pelo sistema financeiro. Segundo o BC, o saldo das operações cresceu 1,1% em relação ao mês anterior, chegando a R$ 416,7 bilhões, num movimento puxado pelas famílias, que procuraram obter empréstimos nos bancos para saldar as dívidas de início de ano. E as instituições financeiras, seguindo os passos do BC, reduziram mais uma vez, ainda que marginalmente, as taxas de juros cobradas nos financiamentos.
Para o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes, o mercado está voltando ao nível de 2001, período em que os juros foram os mais baixos já registrados pelo banco ainda que bastante elevados em comparação com outros países. No cheque especial, a taxa média de juros caiu para 142% em março e atingiu 139,9% nos primeiros nove dias úteis de abril.
Nos últimos 12 meses, segundo os dados do BC, os bancos instalados no País ampliaram em 9,5% o volume de crédito oferecido para empresas e pessoas físicas. No primeiro trimestre deste ano, o crescimento foi de 1,7%. Segundo Lopes, boa parte desse movimento é um reflexo da maior procura por financiamento das famílias, que precisam saldar suas dívidas de início de ano. ''O volume de dinheiro emprestado para crédito pessoal subiu 3,7%, e 5,2% no caso do movimento via cheque especial'', comentou Lopes.
A expansão também foi influenciada pelas operações de financiamento com desconto em folha de pagamento, regulamentadas para o setor privado por meio de uma medida provisória editada no ano passado. Segundo o chefe do Depec, numa pesquisa feita com instituições que respondem por 60% do crédito pessoal concedido no mercado, estes bancos avaliaram que 29% do dinheiro liberado em março estava atrelado à essa modalidade. E a tendência é de ampliação dessas operações. ''O crédito em consignação ainda está muito concentrado no funcionalismo público, o que mostra que existe um potencial de expansão, na medida em que isso seja mais absorvido pelo setor privado'', comentou Lopes.
Para o chefe do Depec, a recuperação do volume de crédito para as famílias é uma característica tradicional dos processos de retomada da atividade econômica. ''A segunda fase do processo será o aumento de crédito para as empresas que aplicarão esses recursos em novos investimentos'', acredita. Outro fator importante, na visão do chefe do Depec, é a ampliação dos prazos médios de financiamento, tanto paras as empresas como para o cidadão comum. ''Estamos reduzindo taxas e dilatando prazos, o que é um quadro bastante razoável'', comentou.


