Brasília - O volume de crédito total no país fechou o primeiro semestre com desembolso equivalente a 45,7% do Produto Interno Bruto (PIB), um recorde, de acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Fazenda ontem. Segundo o relatório ''Economia Brasileira em Perspectiva'', o volume total de crédito deve crescer para 48,5% do PIB ao final do ano.
O volume total de crédito ultrapassou R$ 1,5 trilhão no primeiro semestre, sendo que o crédito para a pessoa física liderou a expansão no período, com ganho de 16,6% no acumulado dos últimos 12 meses até junho.
A alta nas modalidades de crédito de menos risco, como o consignado e o financiamento imobiliário, além da redução dos juros médios cobrados, dos spreads (diferença entre a taxa de captação do banco e aquela que ele cobra do cliente) e da inadimplência, colaboraram para a expansão do crédito, afirma a Fazenda.
O crédito para a pessoa jurídica também apresenta uma retomada, o que pode ser explicado pela expansão do nível de atividade, estimulando as empresas a voltarem a promover investimentos.
Os bancos públicos foram amplamente responsáveis pelo crescimento do crédito, com crescimento de 63,9% na concessão de créditos de setembro de 2008, auge da crise econômica mundial, até junho de 2010. No mesmo período, os bancos privados nacionais tiveram alta acumulada de 19,7%, enquanto as instituições financeiras estrangeiras avançaram 9,4%.
O relatório da Fazenda também destaca a participação da Caixa Econômica Federal na concessão de crédito imobiliário e os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os financiamentos.
Juros
O relatório da Fazenda aponta que as taxas de juros (tanto a Selic como a taxa real, que considera o juro básico descontada a inflação nos 12 meses seguintes) atingiram o menor patamar histórico em 2009, mostrando que é possível manter a inflação sob controle com juros mais baixos. Contudo, aponta a tendência de alta verificada em 2010.
O relatório também mostra que o peso dos juros pagos pelo governo apresentaram queda em 2010 pelo sexto ano consecutivo. Para o final do ano, o governo projeta que os juros pagos devem representar 5,2% do PIB.

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