Curitiba - O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) teve aumento de 47% nos contratos firmados no ano passado em relação a 2012. No total, foram formalizados 556,5 mil contratos em 2013, contra 377,6 mil do ano anterior. Desde que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) passou a ser o agente operador do Fies, em 2010, foram firmados mais de 1,16 milhão de contratos. Só no ano de 2013, o volume financeiro movimentado foi de R$ 7,574 bilhões contra R$ 4,476 bilhões, o que significa um aumento de 69%. Os dados são do FNDE.
No Paraná, foram assinados 25.591 contratos no ano passado, volume 32,28% maior que em 2012, quando foram fechados 19.346 contratos. O Estado ficou na sexta colocação no ranking nacional em número de contratos só atrás de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Ceará. No ano passado, os cursos mais procurados no País foram Direito com 81.041 contratos, Administração (47.170), Enfermagem (35.796), Engenharia Civil (38.788) e Pedagogia (26.630).
De acordo com dados do FNDE, parte desse aumento nos números do Fies deve-se ao Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo (Fgeduc), que dispensa a exigência do fiador para a contratação do financiamento. Ele atua como garantia nos contratos de estudantes matriculados em cursos de licenciatura, beneficiários de bolsas parciais do Programa Universidade para Todos (ProUni). O fundo também atende estudantes com renda familiar mensal bruta per capita de até 1,5 salário mínimo. No ano passado, 66% dos contratos formalizados (369,8 mil) tiveram o Fgeduc como garantia.
Luiz Fábio Vieira Santana é um dos estudantes beneficiados pelo Fies. Este ano, ele inicia o terceiro ano de Engenharia Florestal na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná e tem o Fies desde que entrou no curso. O financiamento estudantil arca com 100% da mensalidade, hoje em cerca de R$ 1,6 mil. "Eu não poderia fazer a faculdade se não fosse o financiamento estudantil", disse. Ele contou que já tinha iniciado outros cursos superiores como Enfermagem e Processamento de Dados em outras faculdades particulares, mas não conseguiu continuar a pagar a mensalidade.
O estudante do terceiro ano do curso de Jornalismo da Universidade Positivo (UP) João Ângelo Soares Lemos tem 80% da mensalidade de R$ 1,2 mil coberta pelo Fies desde o segundo semestre do primeiro ano. O irmão dele, Pedro Felipe, terminou Jornalismo na UP em 2013 e tinha o Fies. "Sem o Fies, a minha mãe não poderia pagar a mensalidade para mim e para o meu irmão", disse. Ele acredita que como o prazo para pagar o financiamento estudantil é longo e os juros não são tão altos, será tranquilo para quitar a dívida.
O Fies financia de 50% a 100% dos encargos educacionais, de acordo com a renda familiar mensal bruta do estudante e do comprometimento dessa renda com os custos da mensalidade. Apenas estudantes com renda familiar mensal bruta de no máximo 20 salários mínimos podem requerer o financiamento.

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