Curitiba - O governo federal pretende aumentar o percentual do álcool na gasolina de 20% para 25% assim que a produção nacional de etanol superar os patamares atuais. A informação foi divulgada ontem pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. A mudança pode ocorrer a qualquer momento.
No entanto, sem dar mais detalhes, Lobão disse que se a produção se mantiver nos níveis verificados neste e no ano passado, não será possível ampliar o percentual de álcool na mistura.
''Estamos mantendo os 20%, mas a qualquer momento poderemos voltar aos 25%. Se a produção de etanol continuar no patamar em que se encontra hoje, e que estava no ano passado, vamos mantê-la em 20%'', disse Lobão.
Segundo o presidente do Sindicombustíveis-PR, Roberto Fregonese, o custo de um litro de gasolina sem imposto é de R$ 1,2471 e de um litro de álcool anidro é de R$ 1,3334. Como o custo do álcool é maior para os revendedores, ele prevê que se aumentar o percentual de etanol na gasolina, o preço desse produto ficará cerca de R$ 0,06 mais caro para o consumidor final. De acordo com levantamento realizado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), hoje o preço médio do litro da gasolina no Paraná é de R$ 2,65 e do álcool de R$ 1,92.
Com os atuais preços não vale a pena abastecer o carro com álcool. O etanol compensa quando chega a até, no máximo, 70% do valor da gasolina que hoje seria R$ 1,85.
''O aumento do álcool na gasolina é uma manobra do setor sucroalcooleiro para eles venderem mais o produto'', comentou Fregonese. Segundo ele, atualmente a Petrobras importa gasolina a um preço mais caro do que produzir o combustível dentro do País. ''Isso (aumentar o percentual de álcool) é uma forma de passar a conta diretamente para o consumidor'', reclamou. Segundo ele, o País também importa etanol. ''Qual é a economia que o governo quer fazer?'', questionou.
Para o superintendente da Associação dos Produtores de Bionergia do Paraná (Alcopar), Adriano da Silva Dias, há etanol suficiente para atender a demanda caso o governo decida aumentar o percentual de álcool na gasolina. ''Em termos ambientais também teremos um ganho significativo e vamos importar menos gasolina.''
Dias lembrou que como o Brasil está em plena safra de cana-de-açúcar, o preço do álcool está bom e não deve cair mais. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Esalq/USP), o álcool anidro - que é misturado na gasolina - vem caindo e no final da semana passada estava em R$ 1,31.
Ele desconhece que o setor dos usineiros esteja preparando uma manobra para aumentar o percentual de álcool na gasolina. ''É uma medida do governo'', opinou. Segundo Dias, hoje o País importa 1,4 bilhão de litros de álcool por ano e exporta 1,9 bilhão de litros. Dias reforça que as condições climáticas e econômicas reduziram a exportação.
Benefícios
Com a volta ao patamar anterior de 25% de álcool anidro na gasolina, a Petrobras seria beneficiada. A companhia passaria a comprar menos combustível no exterior para abastecer o mercado doméstico. Embora a Petrobras venha modernizando suas refinarias e construindo novas unidades para aumentar a oferta, a produção de combustíveis brasileira não é suficiente para atender a demanda do País. Assim, ela exporta petróleo bruto e importa derivados.
Quando a empresa tem que comprar gasolina no exterior, ela paga um preço mais alto que o praticado no País, e tem que arcar com o prejuízo, por não repassar o preço aos consumidores.
Medida anterior
Em 1º de outubro do ano passado, o governo diminuiu a quantidade de álcool anidro na gasolina de 25% para 20% para garantir o abastecimento do combustível no País. Naquela época, a mudança foi tomada para tentar evitar a falta de etanol no mercado e conter o preço do combustível, que havia aumentado muito nas últimas semanas. A Petrobras foi prejudicada com a medida, pois teve de importar mais gasolina do exterior para garantir o consumo nacional. (Com Folhapress)

Imagem ilustrativa da imagem Volume de álcool na gasolina pode aumentar
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