O presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, costuma dizer que encabeçará a lista dos desempregados a partir do dia 17 de outubro, quando bater o martelo do leilão do banco. Sua carreira de um ano e oito meses está no fim e, por enquanto, ele tem uma única certeza. Vai destinar as semanas seguintes ao seu desligamento à pescaria no Rio Araguaia. Ele diz que seu futuro político ou profissional é uma incógnita.
‘‘Estou no mercado. É claro que gostaria de ficar na vida pública, pois foi o que sempre fiz. Mas não faço disso um projeto de vida. Ou retorno à vida pública, dependendo do que acontecer até 2002, ou vou criar peixe’’, diz Stephanes, que já tem uma pequena produção, em Goiás. Há dois anos, quando perdeu a eleição para deputado federal, também fez um retiro para pescar.
Com 61 anos e um currículo onde consta quatro mandatos como deputado federal (entre os mais votados no Estado) e duas vezes ministro da Previdência Social nos governos Collor e FHC, Stephanes espera ser requisitado para mais um desafio público. Mas ele sabe que seu estilo de independência e de não submissão dificultam um pouco suas relações políticas. Foi assim com o governo do Estado, quando seria indicado secretário da Fazenda, mas o então deputado Aníbal Khury fez o governador Jaime Lerner mudar de idéia e manter Giovani Gionédis na pasta.
Stephanes reconhece que sua passagem pelo banco criou atritos em alguns escalões do governo e tirou o sono daqueles que esperavam manter o banco como repartição pública. Ele trombou com o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, por não concordar com sua forma de atuação. Os dois só conversam o estritamente necessário e evitam os mesmos locais públicos. ‘‘Sei que minha forma de agir trouxe um certo desgaste. Mas eu estava consciente disso’’, reconhece. Se for convidado novamente para a Secretaria da Fazenda diz que aceita.(C.M.)

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