Kraw PenasSOB PRESSÃOVilmondes Olegário explica para participantes do seminário motivos que levaram suspensão do leilão de PEP O governo poderá emitir mais títulos do Tesouro Nacional, aumentando a dívida pública, para liquidar um ‘‘ buraco’’ de aproximadamente R$ 1,6 bilhão da conta de EGFs antigos de milho e arroz. Com isso fica liberado o saldo de R$ 64 milhões para ser aplicado no PEP do trigo, que poderia ser reativado imediatamente.
Essa negociação está ocorrendo hoje em Brasília, na reunião com o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, o secretário nacional de Política Agrícola, Benedito Rosa do Espírito Santo e representantes do Banco do Brasil. A emissão de títulos é a única forma de liberar recursos para o PEP do trigo. ‘‘Esse instrumento não foi reativado até agora em função de restrição orçamentária que impede o deslocamento de recursos de uma rubrica para outra’’, explicou ontem em Curitiba Vilmondes Olegário, diretor da Secretaria de Política Agrícola, do Ministério da Fazenda.
Olegário, que participou do Seminário Nacional do Trigo, foi bastante cobrado pelos líderes dos produtores e representantes dos moinhos pela demora na reativação do PEP. Esta é a única forma de escoar os estoques de 400 mil toneladas que estão nas cooperativas do PR e RS. Olegário ressaltou que é consenso geral nos vários escalões do governo federal, a necessidade de reativar o PEP, mas a operação que envolve a transferência de rubricas orçamentárias é demorada e depende de medida provisória do presidente da República para emitir os títulos do Tesouro Nacional.
PROPOSTAS Os produtores querem uma política de trigo mais estável, com regras claras para enfrentar a concorrência do Mercosul e as indústrias defendem a adoção de instrumentos que facilitem a comercialização da safra como a manutenção dos leilões do PEP e CPRs - Cédulas do Produtor Rural. Essas foram algumas das propostas discutidas ontem durante Seminário Nacional do Trigo, promoção conjunta da Seab, Faep e Ocepar.
Entre outras propostas extraídas do encontro estão o reajuste do trigo ao produtor, passando de R$ 157,00 a tonelada, para R$ 181,00 a tonelada para o tipo 1, classe superior. Também foi proposta a manutenção dos leilões do PEP, a partir do início de setembro de 1998 e a redução dos juros de crédito rural, de 9,5% ao ano para 6% ao ano. Essas reivindicações serão entregues hoje ao ministro Arlindo Porto, durante visita a Castro. Além dos produtores, a indústria representada pela Abitrigo defende uma política para a manutenção da cultura nacional do trigo, como estratégia para respaldar o aumento de consumo de trigo no País.
Segundo o presidente da Abitrigo, Antenor de Barros Leal, não há como cobrar dos moinhos fidelidade à produção nacional. ‘‘Os moinhos são empresas e têm a obrigação de ganhar dinheiro. Para isso vão procurar o trigo mais barato onde ele estiver’’, comentou. Para ele, a solução desse problema depende de uma política de longo prazo do governo, com a visão estratégica da importância da cultura do trigo, como a principal cultura de inverno que gera renda, emprego e economia de divisas com as importações.
João Paulo Koslovski, presidente da Ocepar, criticou a posição assumida pelo governo federal de utilizar o trigo como barganha para exportar produtos industrializados. Ele lamentou a falta de interesse do governo em promover o aumento da produção brasileira, para atender os interesses da Argentina no Mercosul. ‘‘A falta de recursos para o PEP evidencia esse desinteresse com o setor’’, disparou. Como resultado dessa política, a produção de trigo vem reduzindo ano a ano, depois que quase atingiu a auto-suficiência em 1987, quando o país produziu uma safra recorde de 6,2 milhões de toneladas. Na safra passada foram produzidas 2,9 milhões de toneladas. Isso aconteceu depois de o setor produtivo investir em tecnologia de plantio, pesquisa de variedades mais produtivas e desenvolver um excelente potencial de produção, mas que não pode ser desenvolvido por falta de mercado, destacou.

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