Carmem Murara
De Curitiba
O fim da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre carros, previsto para esta quinta-feira, provoca um verdadeiro corre corre de clientes às concessionárias. Eles querem aproveitar a útima semana para comprar carro zero quilômetro com desconto médio de 8%, percentual que equivale à alíquota do tributo. Algumas revendedoras de Curitiba estimaram ontem ter tido um aumento de 20% no movimento de fregueses e outras disseram que o número de clientes triplicou, desde o final de semana.
As concessionários acham que o governo federal não vai prorrogar o acordo automotivo com as montadoras e por isso o imposto vai voltar. Diante desta situação, elas querem atrair a clientela. ‘‘Durante todo o acordo fizemos uma constante campanha para chamar o consumidor e esta é a última semana’’, avisou ontem o gerente comercial da Barigui Veículos, Angelo Zagonel. Em tom de brincadeira ele disse que as vendas estarão aquecidas enquanto persistir os boatos de fim do acordo automotivo.
Mas Zagonel e os demais gerentes e diretores das revendedoras acham que dificilmente o governo federal aceitará reeditar o acordo, que reduzia o imposto em troca da manutenção do emprego nas montadoras. ‘‘Desta vez está tudo muito quieto e não nos dá impressão de que haja prorrogação’’, afirmou o diretor da Autovesa, Celso Kuliela.
O diretor da concessionária da Renault disse que o pacto não provocou aumento nas vendas de carros, mas pelo menos evitou uma queda ainda maior. Em 1998, foram comercializados 1,4 milhão de carros novos em todo o País. Até julho deste ano foram vendidos 680 mil, o que garantiria a estimativa do início do ano que era a de vender 1,1 milhão de carros. ‘‘O problema é que com o fim do acordo as vendas vão cair’’, prevê Kukiela.
A regional paranaense da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) estimou ontem que o mercado encolha 40%. Nenhuma concessionária trabalha com a hipótese de não repassar os preços. ‘‘Podemos até segurar alguns dias, dependendo de nossos estoques, mas o setor trabalha hoje com uma margem de lucro próxima de zero’’, disse o gerente da Barigui. O diretor da Autovesa tem a mesma opinião. ‘‘Não dá para absorver mais custos. Quem tem uma margem de lucro de 2,5% tem que comemorar e muito’’, afirmou Kukiela.

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