Volta de inflação e desemprego marcaram 2002
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domingo, 29 de dezembro de 2002
Mônica Kaseker<br> Equipe da Folha 
Curitiba Que 2002 foi um ano difícil para a maioria dos brasileiros, ninguém pode negar. Além da pouca oferta de vagas no mercado de trabalho, do clima de insegurança gerado pela alta do dólar e pelas especulações em torno do novo governo e ainda a volta da inflação fez com que a classe trabalhadora se sacrificasse muito mais para sobreviver ou para manter o padrão de vida.
Fazendo um balanço de 2002 com as pessoas nas ruas, a resposta mais comum é de que ''foi um ano de muito trabalho e pouco dinheiro''. Há quem trace uma perspectiva um pouco melhor para 2003, afinal o otimismo tem que ser a marca do Ano Novo.
As estatísticas confirmam o que o povo diz. Em 2002, o custo da cesta básica em Curitiba subiu 16% até novembro, chegando a R$ 150,65, segundo o Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Para comprar os produtos que compõem a cesta, o consumidor teve que trabalhar 165h43, sete horas a mais do que no ano passado. Os alimentos foram os produtos que mais pesaram na inflação. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulada até novembro foi de 10,57%.
O desemprego foi outro fator que tornou este ano mais difícil. Segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a taxa de desemprego foi de 4,57% em novembro, o que representa 56 mil pessoas desempregadas na Grande Curitiba. O rendimento médio de quem estava empregado caiu 1,6% em relação a outubro e 10,8% em relação a novembro do ano passado. A estimativa do Dieese sobre a taxa de desemprego é ainda mais preocupante, chegando a 12% no Paraná, o que equivale a 620 mil desempregados no Estado. A taxa está entre as três maiores registradas nos últimos 20 anos.
O comerciante Said Nossabein, 31, considera que o primeiro semestre de 2002 foi péssimo, mas houve uma recuperação a partir da metade do ano. Na média, foi um ano regular para sua loja de pão de queijo no Centro de Curitiba. Mesmo assim, a situação econômica deixou uma marca: Nossabein empregou uma pessoa a menos esse ano. Ao invés de cinco funcionários, passou a ter quatro.
Mesmo para quem teve rendimento garantido, o ano foi de muitas contas a fazer. O auxiliar de escritório Adriano José de Abreu, 28, diz que está feliz porque conseguiu pagar todas as contas antes do ano terminar. Assim como ele, o aposentado Benedito Evaristo de Souza, 67, teve que fazer os R$ 300,00 que recebe por mês render para o sustento dele e de sua mulher. ''O segredo é controlar muito os gastos, porque a inflação judia da gente'', desabafa.


