São Paulo - Rodar o mundo em busca de novos clientes foi uma das estratégias que a Volkswagen adotou para assegurar seu posto de maior exportadora de veículos do País. Em menos de um ano a montadora conquistou mais dez mercados internacionais. Juntos, vão responder por 5% das vendas externas do grupo, que este ano devem atingir 175 mil unidades, ante 166 mil em 2003.
Os novos clientes são Líbia, Líbano, Alemanha, Áustria, Marrocos, Argélia, Nigéria, Egito, Etiópia e Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes, para onde seguem Gol, Parati, Saveiro e Polo Sedan. No segundo semestre, a lista aumenta: a Rússia vai receber as primeiras 700 unidades do Gol 1.0. O modelo popular, praticamente vendido só no mercado brasileiro, atravessa o oceano para disputar mercado com a tradicional fabricante russa Lada, que no início dos anos 90 chegou a enviar produtos para o Brasil.
A Volkswagen, assim como as demais montadoras brasileiras, viram no mercado externo uma tábua de salvação para a ociosidade de suas fábricas, que atualmente operam com apenas 60% de sua capacidade.
Mesmo com a previsão de aumentar em 20% as exportações totais de veículos neste ano, batendo recorde de US$ 6,6 bilhões, e de vender 6% a mais no mercado interno (perto de 1,5 milhão de unidades), o setor não corre o risco de gargalos. ''Podemos atuar nas duas frentes e temos capacidade de ampliar ainda mais as vendas, pois temos capacidade livre'', diz o gerente de exportações da Volks, Leonardo Soloaga.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) negocia atualmente acordos comerciais com a África do Sul e a União Européia. A entidade participou da missão que foi à China com o presidente Lula e pelo menos uma das associadas, a Fiat, apresentou os carros bicombustíveis (rodam com gasolina ou álcool), uma tecnologia nacional.
Adaptações - Os novos mercados conquistados pela Volks ainda têm pequena participação nas vendas, mas a tendência é de crescimento, diz Soloaga. No caso do Gol para a Rússia, o volume para 2005 vai chegar a 2 mil unidades. O país também deve adquirir o modelo com motor 1.8. A versão popular precisou de adaptações para resistir às baixas temperaturas locais.
Em valores, a Volks deve exportar 10% a mais que no ano passado, e atingir US$ 1,65 bilhão. Ao todo, são 45 mercados, o principal deles o México. A partir do primeiro trimestre de 2005, a empresa vai exportar entre 80 mil e 100 mil unidades do Fox para 17 países da Europa. ''Com este contrato, vamos atingir nossa capacidade exportadora, ou seja, chegaremos aos mercados onde queríamos estar'', afirma Soloaga.
Ao mesmo tempo em que defende sua liderança nas vendas externas, a Volks também tenta recuperar o posto de número um no mercado interno, perdido para a Fiat.

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