Volks voltará a demitir e pode fechar fábrica
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quarta-feira, 03 de maio de 2006
Renata Stuani<br> Agência Estado 
São Paulo - A Volks voltará a demitir funcionários a partir de novembro, quando vence o acordo de estabilidade fechado com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, e pode até mesmo fechar uma fábrica no País.
As demissões fazem parte da segunda fase do plano de reestruturação, iniciado em 2003, com o objetivo de cortar curtos e buscar rentabilidade. A empresa tem prejuízo no País há oito anos e, segundo o presidente da Volkswagen do Brasil, Hans-Christian Maergner, quer ter lucro operacional em 2007.
Os sindicalistas do ABC afirmam que serão 5,4 mil demissões até 2008, sendo 3 mil somente este ano. Maergner se recusou a confirmar a estimativa, dizendo que qualquer número é pura especulação.
Ele afirmou que a matriz na Alemanha sugeriu o fechamento de uma das fábricas no Brasil, por causa dos altos custos e da ociosidade de aproximadamente 70%. Mas, segundo ele, a empresa pretende evitar que isso aconteça e iniciará imediatamente as negociações com as entidade sindicais para melhorar a produtividade e diminuir os gastos. O executivo descartou a possibilidade de haver transferência de unidades produtivas do Brasil para outros países.
A Volks pretende cortar 25% dos custos de produção dos novos modelos a serem lançados até 2008. Ele admitiu que a fábrica da Via Anchieta, em São Bernardo do Campo, é a mais custosa. Sem mencionar o nome da concorrente Fiat, o executivo afirmou que a produção em Minas Gerais (a multinacional italiana tem fábrica em Betim) custa a metade da Volks no ABC.
O presidente da Volks adiantou que a empresa não planeja reduzir a produção no mercado doméstico, mas lamentou a falta de iniciativa do governo federal de criar programas para incentivar as vendas de veículos no Brasil, que crescem abaixo do esperado desde 1997.
Após afirmar que a valorização do real foi de 33% entre 2003 e 2006; ninguém esperava isso e é impossível fazer o repasse desse custo, Maergner disse que a margem das vendas externas não cobre os esforços para exportar.
Por isso, o executivo informou que a montadora deverá reduzir em 40% o número de veículos exportados até 2008. Somente em 2006, a expectativa é de um corte de 31% nas vendas externas, que passaram do recorde de 256 mil unidades em 2005, para 175 mil este ano.
De acordo com Maergner, a Volks tem reduzido continuamente os investimentos no País: a empresa investia 10% da receita em 1998, número que caiu para 2% em 2005.


