A Volkswagen quer cortar parte ou a totalidade do 13º salário, do abono de férias e da participação nos resultados dos 26 mil trabalhadores das fábricas de São Bernardo do Campo e Taubaté (SP). Em troca, os empregados teriam a jornada semanal reduzida de cinco para quatro dias, sem alteração no salário mensal. A montadora também vai abrir programa de demissões voluntárias nos próximos dias. A idéia é economizar entre R$ 350 milhões e 400 milhões na folha de pagamento durante o ano de 1999.
A proposta será encaminhada pelos sindicatos, assim que os trabalhadores retornarem das férias coletivas, no dia 18. A princípio, os sindicalistas resistem à idéia, mas sabem que precisam negociar para evitar demissões.
A proposta foi apresentada ontem aos sindicalistas durante uma reunião que durou mais de três horas. As negociações continuarão assim que os empregados avaliarem a proposta inicial.
O programa de cortes representaria uma redução de custos de 20% com o efetivo. A redução na jornada - que também reduziria os custos em 20% -, é a forma encontrada para adequar a produção ao ritmo de vendas, abalado pela crise, segundo explicou o vice-presidente de recursos humanos da Volkswagen, Fernando Tadeu Perez.
A maior montadora do Brasil tem 20 mil carros parados nos seus pátios e mais 30 mil na rede de concessionárias. A empresa saiu da média de produção mensal de 52 mil unidades para pouco mais de 30 mil. ‘‘Precisamos fazer uma ponte até a crise passar’’, explicou Perez.
Segundo ele, o modelo, que reproduz experiência já feita na Alemanha, pode adequar os custos à realidade da receita. A direção da Volkswagen não revelou nem à imprensa e nem aos sindicalistas se pretende cortar os benefícios anuais totalmente ou apenas em parte. Tudo dependerá da negociação que vai prosseguir nos próximos dias.
Segundo Perez, a proposta será válida no momento em que o acordo for fechado. Mas a idéia é garantir o corte de custos em 1999, ano que deve registrar perdas ainda maiores para a indústria automobilística. No ano passado, o País produziu 2,097 milhões de veículos e este ano não deve passar de 1,5 milhão.
Os sindicalistas argumentam que a realidade do trabalhador brasileiro é diferente do alemão. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, lembrou que o dinheiro de 13º salário ou abono de férias tem sido quase sempre usado para cobrir dívidas ou trocar produtos de necessidade como geladeira e fogão. ‘‘Ou até para o trabalhador poder comprar a bicicleta que o filho está esperando há mais de três anos’’, disse o sindicalista.
Os dirigentes sindicais argumentaram ainda que não adianta reduzir benefícios porque isso vai retirar dinheiro da economia e resultar em demissões em outros setores. ‘‘Elogio a Volkswagen na tentativa de evitar demissões’’, disse Marinho. ‘‘Mas não é uma medida isolada que vai resolver um problema de toda a economia.’’

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