Volks quer congelar salário na Alemanha
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segunda-feira, 23 de agosto de 2004
Vinicius Albuquerque<br>Agência Folha 
São Paulo - A montadora alemã Volkswagen disse ontem que não há espaço para aumentos de salários. A declaração veio
às vésperas das negociações de salários com o sindicato de metalúrgicos alemão IG Metall maior do País. A Volks disse ainda que pretende reduzir os custos dos postos de trabalho reduzindo o número de folgas remuneradas e aumentando o programa de horários flexíveis de trabalho.
Segundo o chefe de pessoal da Volks, Peter Hartz, a empresa precisa manter o atual nível de salários para poder enfrentar a acirrada competição de preços no mercado automobilístico e para evitar que os empregos da empresa sejam transferidos da Alemanha para países de mão-de-obra mais barata. A Volks, em contrapartida, disse que pretende manter seu acordo de dois anos com os sindicatos de não reduzir seu quadro de funcionários (176.500 trabalhadores).
O IG Metall, por sua vez, reivindica 4% de aumento anual, mas Hartz disse que ''não há espaço para aumentos de salários''. Ele diz que a empresa quer elevar de 200 para 400 o limite de horas extras que o funcionário pode acumular no banco de horas extras. Por meio desse sistema, o funcionário acumula horas trabalhadas em períodos de maior demanda e fica em casa recebendo o valor acumulado nas horas extras quando a demanda cair.
A Volks pretende ainda reduzir o número de folgas remuneradas e introduzir um sistema de trabalho ''demográfico'': os trabalhadores poderiam acumular mais horas trabalhadas no início de suas carreiras e se aposentar mais cedo.
O líder do IG Metall, Juergen Peters, não se mostrou preocupado com a declaração da Volks. ''Quando vamos à negociação salarial e apresentamos nossa proposta, há um reflexo por parte dos empregadores ''não podemos pagar''', disse ele à rádio alemã Westdeutscher Rundfunk. ''Vamos ver o que resulta disso.'' O sindicato reivindica ainda garantia de emprego para os 103 mil funcionários em seis das fábricas da Volks na Alemanha. A negociação deverá começar no dia 15 de setembro.


