São Paulo - O presidente da Volkswagen do Brasil, Hans-Christian Maergner, disse ao jornal alemão ''Handelsblatt'' que não renovará os acordos de garantia de emprego no País. No ano passado, por exemplo, a montadora precisava enxugar um excedente de 3.933 funcionários nas fábricas de São Bernardo (ABC paulista) e Taubaté (interior de SP). No entanto, a empresa não pôde demitir nenhum excedente, pois havia negociado acordos de garantia de emprego até novembro de 2006 em São Bernardo e fevereiro deste ano em Taubaté.
''Eu não me permito criticar o trabalho de meus antecessores. Eu tenho que viver com esta situação, da maneira como ela é. Mas uma coisa está certa: garantia de emprego não haverá mais. Só sobre o meu cadáver'', disse Maergner para o ''Handelsblatt''.
O novo presidente da Volkswagen do Brasil assumiu o posto em janeiro deste ano. Ele substituiu Paul Fleming, que ficou apenas 14 meses à frente da subsidiária brasileira.
Os acordos de garantia de emprego foram negociados na gestão de Herbert Demel. No entanto, como Demel se recusava a fechar um acordo de garantia de emprego, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC foi até a Alemanha em 2001 negociar um acordo de garantia de emprego de cinco anos para os funcionários de São Bernardo.
Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo, negociar garantia de emprego não é uma questão de gostar ou não. ''Negociar é uma questão de necessidade e circunstância. Eu não gosto de banco de horas, mas às vezes tenho de negociar banco de horas para preservar empregos'', disse Feijóo.
Maergner admite que o programa de enxugamento de mão-de-obra foi além do esperado no Brasil. ''O problema está resolvido. Ultrapassamos as expectativas em relação ao corte de pessoal.'' Segundo ele, a montadora pagou um preço alto demais para isto. ''Mas não tínhamos outra saída. É melhor aceitar um ônus agora, mas poder estar futuramente com os pés bem firmes no chão.''
Para eliminar os excedentes de São Bernardo, por exemplo, a Volks aceitou pagar para os funcionários ficarem em casa até 2006 recebendo seus salários.
Segundo Maergner, a situação financeira da montadora no Brasil está ''a pleno vapor''. ''Reduzimos nossos custos fixos mais que o esperado. Numa ocupação de 60% de nossa capacidade, voltamos ao azul.'' Pelas suas previsões, a montadora atingirá o equilíbrio financeiro ainda neste ano. ''Estamos no caminho certo, se a conjuntura geral não piorar.''

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