Volks propõe reduzir os salários em 20%
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quarta-feira, 03 de dezembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
O plano de enxugamento da Volkswagen para enfrentar os efeitos do pacote econômico envolve 10 mil dos 22,6 mil empregados de São Bernardo do Campo. Metade desse efetivo teria a jornada e o salário anual reduzidos em 20%. Para os outros cinco mil, a montadora propõe uma terceirização por meio da criação de uma nova empresa, a Volkswagen Serviços.
A proposta, que foi colocada para o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo ontem, foi detalhada ontem pelo presidente do sindicato, Luiz Marinho. Segundo cálculos do sindicato, a redução de custo na folha de pagamento somaria R$ 135 milhões na Volkswagen. Mas pode chegar a R$ 1,076 bilhão se todas as demais montadoras e fornecedores seguirem a idéia da Volks. Tradicionalmente, as estratégias desta empresa, que é a maior do setor, são seguidas pelas demais. Segundo o Dieese, somente nas montadoras, a redução de custo com folha de pagamento somaria R$ 269 milhões. No restante da cadeia produtiva, a economia seria de R$ 807 milhões.
Para obter esta economia trabalhadores ficariam, no próximo ano, sem o 13º salário e mais a participação nos resultados - calculado para ser de R$ 2.650,00 a R$ 3.005,00 -, e ainda, sem o abono de férias, correspondente a 1/3 do salário. A proposta seria encaminhada numa assembléia na porta de fábrica, ontem.
Reestruturação O enxugamento na Volks seria inevitável, mesmo que o governo não tivesse anunciado o ajuste fiscal. A direção da companhia iniciou em outubro, com o Sindicato dos Trabalhadores, uma discussão para reduzir o efetivo até o ano 2000. A idéia partiu da necessidade da empresa de passar por um processo de reestruturação produtiva para ganhar competitividade mundial e renovar a linha de produtos. A Volks está atrasada em relação à concorrência no lançamento de carros mundiais, processo necessário dentro da globalização do setor automotivo.
Luiz Marinho acusou ontem a Volkswagen de tirar proveito do pacote para concretizar o projeto de reestruturação. Os trabalhadores não podem pagar o pato pela incapacidade da empresa de colocar o produto que o mercado quer, disse o sindicalista. Ele lembrou, por exemplo, que o mercado há tempo pede carros de quatro portas. A Volkswagen ainda não lançou o Gol quatro portas. Além disso, a empresa tem de renovar os produtos que foram criados exclusivamente para o mercado brasileiro. É o caso do próprio Gol. O carro sairá de linha no ano 2001.
Marinho destacou ainda que, ao invés de propor a redução de salários, a Volkswagen poderia discutir melhor a jornada flexível, a exemplo do que tem feito a Ford. Na jornada flexível, os empregados cumprem uma carga horária adaptada à necessidade de produção. O salário mantém-se inalterado e as horas trabalhadas a mais, em momentos de crise, são guardadas para utilização posterior.


