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ReformulaçãoO primeiro novo modelo a ser produzido pela Volks no Brasil para substituir a família Gol será similar ao Polo Classic (acima). Abaixo, o presidente da Volks para a América do Sul, Herbert Demel: carros com tudo novo

O presidente da Volkswagen na América do Sul, Herbert Demel, disse ontem que a nova linha mundial de carros que a montadora vai começar a produzir no Brasil a partir do ano 2000 terá de três a cinco modelos diferentes. ‘‘Será uma família (de carros) com conceitos muito diferentes. Vai ser um carro com tudo novo, com motores, eixos, transmissores e carrocerias diferentes’’, afirmou o austríaco Demel ontem, antes da cerimônia de assinatura do acordo com os sindicatos dos metalúrgicos do ABC e de Taubaté para reduzir custos da montadora e evitar demissões em massa.
Os novos veículos - dentro do projeto PQ-24 - vão substituir a família Gol (Gol, Parati e Saveiro). O novo projeto garante investimentos de US$ 3,5 bilhões para os próximos cinco anos nas unidades de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo) e de Taubaté (interior paulista).
Segundo ele, o primeiro novo modelo a ser produzido em uma das duas unidades será similar ao Polo Classic. O volume de produção nos primeiros 12 meses será de 400 a 500 carros por dia. O início da produção está previsto para o segundo semestre do ano 2000.
Atualmente, a capacidade de produção da unidade de São Bernardo é de 1.400 veículos por dia para toda a linha. A de Taubaté, de 1.100 carros por dia. A substituição dos veículos será gradativa, uma a cada seis meses. Até lá, a linha Gol será modernizada, mas não deve sair de linha.
O acordo entre a empresa e os trabalhadores assinado ontem é considerado inédito, pois garante a vinda de um projeto desse porte para o Brasil e, consequentemente, empregos até pelo menos 2007.
O diretor de Recursos Humanos da Volks, Fernando Tadeu Perez, considerou o acordo como o ‘‘mais importante’’ a ser celebrado até hoje pela montadora. Para Demel, não há ‘‘ganhadores nem perdedores’’ no acordo. ‘‘As negociações foram difíceis, mas em um nível muito de alto de respeito das duas partes’’, afirmou.
Segundo ele, em nenhum momento, a montadora pensou em demitir 10 mil metalúrgicos. ‘‘As 10 mil demissões eram matematicamente necessárias, por causa da demanda reduzida. Mas negociamos inteligentemente’’, afirmou.
‘‘Pelo tamanho da crise e do problema, certamente encontramos uma solução complexa, mas uma boa solução’’, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho. Ele afirmou que o acordo serve de modelo para outras empresas e sindicatos como ‘‘postura das partes’’, ao encontrar soluções para um ‘‘problema tão grave’’. ‘‘Exigimos a modernização da planta de São Bernardo. Se haverá excedente de pessoal após essa modernização, isso vai depender do mercado e da política econômica do governo’’, disse.

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