Volks omite casos de doenças de trabalho
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 2003
Vânia CasadoEquipe da Folha 
Curitiba - A direção da fábrica da Audi/Volkswagen, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, não está comunicando corretamente os casos de trabalhadores que contraíram doenças provocadas por esforços repetitivos junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Auditores da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), que fiscalizaram a fábrica no ano passado, constataram que em 2002 foram encontrados 159 casos de trabalhadores afetados por doenças oriundas de esforços repetitivos, enquanto a empresa comunicou apenas 12.
Para o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região, Núncio Manalla, o desencontro dos números ''mostra claramente que a Volkswagen vem sendo omissa quando o assunto se refere à saúde do trabalhador''. Segundo Manalla, a falta de comunicação correta das doenças vem gerando prejuízos aos trabalhadores que deixam de fazer o tratamento adequado e ainda correm o risco de serem demitidos. O diretor do sindicato disse que vai sugerir ao trabalhadores que entrem com uma ação civil pública contra os dirigentes da empresa.
Segundo o sindicato, o aumento da incidência das doenças vem sendo provocada pelo trabalho excessivo imposto aos trabalhadores da linha de montagem. A justificativa é que a produção de veículos aumentou no segundo semestre do ano passado e não houve contratações para sustentar o aumento de trabalho. Além disso, foram afastados cerca de 140 trabalhadores por motivo de doença, que não foram susbstituídos.
Conforme relatório da DRT, divulgado ontem, a Volkswagen encaminhava as comunicações das doenças para o INSS com o código errado, de doenças comuns. A diferença é que em caso de incidência de doenças com o código que informa que elas foram contraídas por esforços repetitivos, o trabalhador deve ser afastado para tratamento adequado e depois adquire um ano de estabilidade na empresa. O comunicado tem que ser feito pela empresa através de CATs (Comunicado de Acidentes do Trabalho), informou Manalla.
Por pressão do Sindicato dos Metalúrgicos que acreditava que o número de doenças porvocados por esforços repetitivos era maior que o comunicado, a DRT fez a fiscalização. Os casos de maior incidência das doenças foram encontrados nos setores de armação, pintura e montagem dos veículos.
O caso vai ser analisado na Procuradoria Geral do Trabalho para saber quais as sanções penais que cabem para a empresa. De imediato, a DRT recomendou a contratação de uma empresa especializada em ergonomia para corrigir o problema, cuja incidência foi considerada muito alta pelos auditores da DRT.
A Audi/Volkswagen disse por meio de sua assessoria de imprensa que não iria fazer comentários sobre o relatório da DRT porque não foi informada oficialmente do assunto. Adiantou, porém, que as CATs não precisam ser necessariamente encaminhadas pelo médico da empresa. Elas podem ser encaminhadas também pelo sindicato ou pelos próprios médicos do INSS.


