Volks enfrenta sua maior crise no País
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sábado, 02 de setembro de 2006
Maeli Prado<br>Folhapress 
São Paulo- Altos custos trabalhistas, impacto de um câmbio desfavorável para exportações em uma empresa que vende 42% da produção para fora, matéria-prima cara, apostas que não se confirmaram em alguns modelos e demora em reestruturar sua rede de concessionárias.
Esses são alguns dos principais fatores, de acordo com consultores especializados ouvidos pela reportagem, que levaram a Volkswagen à atual situação no país. A montadora, que anunciou que pode demitir entre 4.000 e 6.000 trabalhadores até 2008, é citada como uma das empresas do setor em pior situação financeira.
A própria diretora para Assuntos Governamentais da Volks, Elizabeth de Carvalhaes, chegou a afirmar, em julho, durante audiência na Comissão de Desenvolvimento, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados, que a situação financeira da montadora é ''absolutamente constrangedora''.
Para especialistas, a empresa pegou mais tarde o bonde das exportações e, quando o fez, entrou com volumes muito maiores e foi pega logo depois na contramão do câmbio. ''Nesse momento, quem depende mais de exportação vai estar em uma situação complicada sempre'', afirmou José Caporal Filho, diretor da consultoria Megadealer.
De acordo com a empresa, as suas exportações atualmente possuem rentabilidade próxima de zero. Ao impacto do câmbio desfavorável deve ser somada a forte alta no preço de matérias-primas nos últimos anos, como o aço.
O contrato assinado pela montadora com o sindicato em 2001, que deu estabilidade aos seus trabalhadores da unidade Anchieta, em São Bernardo, até novembro deste ano, também é apontado como um dos motivadores da crise. A diferença entre o que ganha o trabalhador dessa unidade e o operário de fora do ABC é de 128%.
A produção da unidade, que possui um custo elevado e cujo processo de fabricação é considerado obsoleto e ineficiente, é significativo na empresa: ela produziu, no ano passado, 192.693 veículos na unidade. Na fábrica do Taubaté, por exemplo, foram 205.100.
''O problema da Volkswagen se chama unidade São Bernardo'', disse o consultor André Beer. ''Os custos lá são mais elevados, e a montadora fez uma ação estrategicamente errada que foi assinar o contrato de manutenção de emprego por cinco anos'', completou.


