Arquivo FolhaPelo empregoOperários da Volkwagen na linha de montagem: redução de benefícosA Volkswagen conseguiu, depois de 70 horas de negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e o de Taubaté, obter o que todas as empresas almejam: cortar, no espaço de um ano, 18% de suas despesas com pessoal, sem forte oposição dos empregados ou da opinião pública. A economia prevista para 1999 é de R$ 200 milhões. Este ano é de R$ 50 milhões - não é maior por conta do pagamento de R$ 130 milhões com indenizações aos 4.062 funcionários que se inscreveram no programna de demissões voluntárias.
Para conseguir a incrível vitória de convencer um dos sindicatos mais fortes do País - o do ABC, filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) - a aceitar o fechamento de milhares de postos de trabalho via voluntariado e a reduzir os benefícios hoje concedidos aos 27 mil empregados em quatro fábricas (já descontados os demissionários), a empresa começou jogando duro. Em dezembro, ameaçou efetuar 10 mil demissões ou reduzir em 20% os salários por três meses, sem garantia de que isso manteria empregos.
Depois, a montadora passou a aceitar a principal bandeira do sindicato: a luta pela manutenção da fábrica no ABC, um complexo gigantesto e considerado obsoleto pelo grau inferior de automação ante à concorrência, excesso de empregados e produtor de modesta variedade de veículos para o consumidor. Daí saiu o principal item do acordo: o compromisso da Volkswagen de montar a sua nova linha de produtos - que substituirá a família Gol - também em São Bernardo do Campo.
Há custo para os empregados, num índice ainda difícil de calcular com precisão, segundo a empresa e o sindicato. A remuneração anual dos empregados cairá menos de 10%, segundo o diretor de Relações Humanas da VW, Fernando Tadeu Perez. A estimativa do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, é de que os empregados horistas desembolsarão 1,2% a mais de seus salários com alimentação e transporte, que tiveram aumento de preço de 28% e 53%, respectivamente.
Não entrão no cálculo de Marinho as perdas com a participação nos lucros ou resultados (PLR), que deve cair. No ano passado, o pagamento mínimo de PLR foi de R$ 2,6 mil por empregado. Este ano, o mínimo fixado é de R$ 2,1 mil. Mas este valor pode crescer, se o mercado tiver um crescimento maior do que o esperado no ano. Ou seja, trata-se de um ponto ainda em negociação.
É difícil também calcular o impacto no orçamento dos empregados da proibição de tirar 10 dias de férias em dinheiro. Boa parte dos funcionários adotava essa prática, para aliviar as contas domésticas. Também é preciso computar como perda a redução do adicional noturno de 30% para 25% - cerca de 30% do efetivo trabalha em turnos que dão direito a este ganho.
Um prejuízo certo: as horas-extras praticamente estão banidas da montadora. Já havia o banco de horas, que eliminava parte da possibilidade de pagamento de horas-extras. Agora foi instituído o banco de dias, que desobriga a empresa de remunerar a mais pela programação aos sábados, desde que seja reposição de dias úteis nos quais não houve produção. O que escapar desses dois mecanismos valerá como hora-extra, mas com pagamento menor: aos sábados o adicional cai de 100% para 50% e aos domingos de 200% para 100%.

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