Curitiba Os trabalhadores da fábrica da Volkswagen de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, realizaram ontem duas paralisações de duas horas cada uma para protestar contra as demissões. De manhã, a adesão foi de 1.800 funcionários e à tarde de cerca de mil pessoas.
De acordo com informações do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana, só na última quarta-feira foram 28 demissões. Desde 2 de maio, teriam sido cortados 50 postos de trabalho e, neste ano, as demissões teriam atingido 204 funcionários, como a Folha já tinha adiantado com exclusividade. Em assembléia realizada ontem de tarde, os funcionários decidiram realizar novas paralisações caso a empresa não abra o canal de negociação com os metalúrgicos. A nova paralisação seria de 24 horas na próxima semana.
A assessoria de imprensa da Volkswagen esclareceu que as demissões que ocorreram até agora não têm relação com o plano de reestruturação mundial anunciado pela montadora em 3 de maio. Segundo a empresa, os cortes de funcionários fazem parte de ajustes naturais dentro da empresa como transferência de funções e processos de melhoria da produtitividade. A Volks informou que o processo de negociação com os funcionários foi iniciado desde o anúncio do plano de reestruturação.
A montadora esclareceu ainda que não há data para as demissões ligadas ao plano de reestruturação começarem nem números de trabalhadores que serão cortados. A empresa negou, mais uma vez, a possibilidade de fechamento de alguma fábrica no Brasil.
De acordo com informações da empresa, as horas paradas serão descontadas dos funcionários. A fábrica tem 4.200 empregados e 1.200 deles que atuam no terceiro turno estão de férias coletivas há três semanas e voltam ao trabalho na próxima segunda-feira, dia 22. O Sindicato dos Metalúrgicos teme que estes trabalhadores do terceiro turno sejam demitidos de uma única vez quando retornarem das férias.
A partir de outubro de 2002, a empresa aumentou o quadro de funcionários de 2.500 pessoas para 4.200 com o lançamento do modelo Fox. Parte destas contratações foi sob regime de contrato temporário. A empresa não soube informar se os funcionários demitidos neste ano são os que foram contratados desta forma.
Segundo o coordenador da comissão de fábrica da unidade do Paraná, Gilson Ricardo dos Santos Batista, a empresa não deve mais mandar recursos financeiros para as fábricas do Brasil a partir de 2007 porque não dão lucro. Entretanto, a empresa não confirmou esta informação, mas adiantou que as unidades brasileiras já estão no oitavo ano consecutivo de prejuízo.
Batista, que esteve no encontro mundial de trabalhadores da montadora na Alemanha entre 8 e 13 de maio, disse que não há necessidade de reestruturação em São José dos Pinhais porque a empresa é produtiva e enxuta. Segundo ele, no encontro foi comentado que as demissões não foram propostas pela matriz alemã mas pela Volks do Brasil. ''A Volks do Brasil está se aproveitando de uma situação de instabilidade. O fato de a determinação não ser da Alemanha dá outro foco para a negociação'', disse. A montadora rebateu a informação e esclareceu que a matriz alemã determinou que se estancassem as perdas sucessivas da operação brasileira.

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