Volks começa a demitir mas nega retaliação
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quarta-feira, 04 de maio de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba A Volkswagen começou a demitir. O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba e Região contabilizou cerca de 20 demissões desde a última terça-feira. Segundo o sindicalista Jamil D'Ávila, a montadora começou a retaliar os protestos dos metalúrgicos que estão fazendo paralisações de duas horas a cada troca de turno. Os trabalhadores estão reivindicando aumento na Participação de Lucros e Resultados (PLR).
Desde a última quarta-feira, quando iniciou o movimento, cerca de 20 horas de produção já foram paralisadas. D'Ávila disse ontem que teme uma radicalização do movimento de ambas as partes. Segundo ele, as demissões revoltaram ainda mais os trabalhores. ''Já tem um grupo de metalúrgicos defendendo a greve geral por tempo indeterminado''. O sindicalista quer evitar o distanciamento entre metalúrgicos e montadora para não afastar ainda mais um acordo entre as partes.
Ontem, o metalúrgico Gilson Ricardo Batista dos Santos, 32 anos, entrou no segundo dia de greve de fome. Ele quer chamar a atenção para a falta de equiparação salarial entre os trabalhadores da Volkswagen da fábrica do Pólo Automotivo do Paraná e das fábricas paulistas de São Bernardo do Campo e Taubaté. Como ficou sem comer e sem beber, a direção do sindicato dos metalúrgicos levou um médico para orientar o metalúrgico no seu protesto, já que ele não pode ficar sem ingerir líquido.
A direção da Volkswagen informou, por meio de sua assessoria, que houve recisão normal do contrato de trabalho para os metalúrgicos, cujos contratos foram encerrados. A empresa não admitiu que está fazendo retaliação.
A empresa oferece R$ 3,4 mil de participação dos lucros, enquanto os trabalhadores querem R$ 4 mil. Em São Paulo, os metalúrgicos vão receber R$ 5 mil de PLR.


