Após a terceira rodada de negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a Volkswagen anunciou ontem que abriu um programa de demissões voluntárias para os 31.500 metalúrgicos de todas as suas unidades. Mas as negociações com os sindicatos da categoria para evitar possíveis demissões em massa e redução da jornada de trabalho e de salários continuam até pelo menos meados de janeiro. O programa foi aberto ontem e termina no próximo dia 9, inclusive para aposentados.
O diretor de Recursos Humanos da Volks, Fernando Tadeu Perez, disse que a estimativa é que a adesão ao programa atinja de 5% a 10% dos funcionários - de 1.575 a 3.150 pessoas. Essa estimativa é bem inferior à previsão da Volks de demitir 10 mil metalúrgicos se a proposta da empresa - redução de 20% na jornada de trabalho e nos rendimentos dos funcionários - não fosse aceita. ‘‘O avanço nas negociações é tão grande que efetivamente fica cada vez mais distante o fantasma do desemprego. Depois da reunião de ontem, de mais de dez horas, as dispensas estão quase que afastadas’’, diz.
Segundo ele, sindicato e empresa têm um ‘‘elenco de medidas para negociar’’ sem que passe por demissão em massa. ‘‘Estabelecemos uma premissa de que ‘o céu é o limite’. Estamos passando por todas as alternativas possíveis e imagináveis para fazer uma ponte a fim de evitar qualquer demissão’’.
Entre as medidas, estão desde a flexibilização de jornada de trabalho, com banco de horas, até a redução dos benefícios aos funcionários, como assistência médica, transporte e alimentação. ‘‘São pilastras de um acordo que estamos construindo. Estamos agora dependendo de uma sintonia fina para que possamos anunciar o acordo final’’, afirmou.
Perez disse que a Volks precisa ‘‘encontrar um jeito’’ de economizar dinheiro. A economia seria, segundo ele, de R$ 200 milhões por ano (25% seriam resolvidos, segundo Perez, com o programa de demissões voluntárias). A ampliação do banco de horas economizaria mais 25%.
A folha de pagamento da empresa é de R$ 1,1 bilhão por ano. Se computados os benefícios, a folha passa para R$ 1,3 bilhão anualmente. Se a adesão ao programa atingir 10%, a Volks vai desembolsar R$ 31 milhões para o pagamento dos benefícios do pacote, sem contar os direitos rescisórios.
O pacote de benefícios prevê, além dos direitos trabalhistas determinados por lei, o pagamento de 41% do salário para cada ano trabalhado (para horistas) e três meses de assistência médica ou a equivalência em dinheiro. Para mensalistas, o valor é de 50% do salário a cada ano trabalhado e o mesmo período de assistência médica dado aos horistas. Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (filiado à CUT), Luiz Marinho, a alternativa de redução de salário está ‘‘totalmente descartada’’.

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