Volks abre PDV para 16 mil funcionários
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terça-feira, 25 de setembro de 2001
Agência Folha<br> De São Paulo 
Um dia após confirmar a concessão de férias coletivas para a unidade de São Bernardo, a Volkswagen anunciou ontem que vai abrir um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para os 16 mil funcionários da fábrica.
A montadora informou que as inscrições podem ser feitas a partir do dia 1º de outubro. Os motivos são os mesmos alegados para a concessão de férias: a queda nas vendas, registrada desde abril, e os altos estoques de veículos nos pátios. Pelos cálculos da comissão de fábrica, são 21 mil veículos nos estoques das fábricas da Volks. A montadora não confirma.
Para incentivar o desligamento, a Volks oferece adicional de 40% do salário por ano trabalhado e plano de assistência médica por três meses. O funcionário pode optar por receber o valor do plano médico em uma parcela única de R$ 375. Hoje, uma reunião entre representantes da montadora e dos trabalhadores deve definir a data das coletivas.
Segundo a comissão de fábrica da Volks, a empresa propõe férias de 15 de outubro a 5 de novembro, mas os trabalhadores querem a redução deste prazo. Mais de 800 veículos deixarão de ser produzidos por dia, segundo a comissão. Em São Bernardo são fabricados os modelos Gol, Santana, Kombi e Saveiro.
A montadora já concedeu descanso coletivo para 7 mil operários durante dez dias em julho.
''As férias coletivas podem ser prenúncio de demissão'', avalia o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho.
A comissão de fábrica de São Bernardo informou que a empresa quer discutir a reestruturação na unidade e pretende intensificar a terceirização de postos de trabalho. ''Os setores envolvidos seriam os de corte de chapas, de fundição e de logística. A companhia informa que precisaria enxugar custos com a terceirização de até 4 mil trabalhadores'', afirmou Hélio Moreira, coordenador da comissão. Na Fiat (MG), 70% dos 9,5 mil operários estão desde ontem em casa. A montadora informou que a parada técnica, prevista para durar até sexta-feira, foi concedida para ajustar a produção à queda nas vendas e à retração no mercado.
Os metalúrgicos da CUT tiveram ontem as duas primeiras rodadas de negociação com o setor de autopeças e as montadoras. Os sindicatos patronais devem apresentar suas contrapropostas no dia 27 deste mês (montadoras) e 2 de outubro (autopeças). Eles pedem reajuste, aumento salarial e garantia no emprego.


