A pessoa sai de casa com pouco tempo. Ao ligar o carro, percebe que está com pouco combustível. Ou seja, além do tempo escasso, ainda precisa passar em um posto para abastecer o veículo. A maior parte dos motoristas já passou por esta experiência. E o resultado pode ser notado nos postos do centro da cidade, especialmente nas primeiras horas da manhã: quase todos têm pressa, muita pressa.
  A nossa reportagem, acompanhada por dois técnicos do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) do Paraná, observou o comportamento dos motoristas em um posto de combustível durante meia hora. E a constatação é a de que a maioria não toma os devidos cuidados quando abastece seus veículos. Algumas pessoas não saem do carro, outras vão às lojas de conveniência, conversam, folheam revistas ou ficam olhando para o relógio ansiosamente. Em uma pequena amostragem de 15 pessoas, apenas duas observaram a bomba de abastecer. Outra constatação é que ninguém, neste universo, pediu a nota fiscal.
  O comerciante Messias Fagundes, 48 anos, é um exemplo de quem não acompanha o momento em que o carro é abastecido: ‘‘Normalmente eu saio, vou para a loja de conveniência; não consigo ficar dentro do carro. Se o frentista colocar 90 (reais) e cobrar 100, eu vou pagar 100 (reais)’’.
  Já o programador Aury Kubo Bueno, 37 anos, confere tudo, detalhe por detalhe: ‘‘É importante o consumidor ter esse cuidado; eu sempre tive essa preocupação não só no posto de gasolina, mas em tudo que adquiro’’, afirma. Aury admite que não é uma atitude de desconfiança, ‘‘mas de precaução mesmo’’.
  E a assistente social Raquel Barreto Giglio parece não ter tanta pressa. Enquanto o frentista abastece, ela vai à conveniência, lê jornal, conversa e toma café. ‘‘Não estou perto porque tenho confiança; abasteço aqui há mais de dez anos’’.
  O gerente de posto Paulo Camargo reconhece que as pessoas têm pressa: ‘‘Elas querem abastecer muito rápido e voltar à sua rotina diária’’. Ele faz duas recomendações importantes aos motoristas: ‘‘A primeira é a escolha do local; deve ser um posto que você tenha confiança. E a segunda é abastecer, sempre que possível, no mesmo posto’’. Ele justifica que caso o combustível tenha problemas, pode demorar ‘‘algum tempo’’ para o motorista perceber.
  E o Ipem, que faz as fiscalizações de rotina nos postos, apresenta uma série de dicas sobre os cuidados na hora de abastecer:

  – Acompanhar sempre o abastecimento. Não se distrair, conversar ou fazer compras naquele
instante;

  – Verificar se os marcadores partem do zero, tanto o de medida como o de valores;

  – Pedir e guardar a nota fiscal, caso haja necessidade de algum questionamento futuro se o veículo apresentar algum problema por causa do
combustível;

  – Se tiver desconfiança, pedir para fazer a verificação no medidor de 20 litros, que os postos devem ter; e

  – Em caso de dúvida, o consumidor pode entrar em contato com o Ipem. O telefone em Londrina é (43) 3321-3377.
  Quem viveu uma experiência inusitada foi o frentista Renato Silva, de 20 anos. Ele disse que há pouco tempo um cliente foi abastecer R$ 15,00 e a bomba registrou R$ 14,99. ‘‘Ele fez questão de um centavo e tive que completar’’, afirma.

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