Quase ninguém, ou 99,2%, sabe calcular o quanto paga de juros em uma compra a prazo. Não é para menos, dizem os economistas, já que a fórmula para determinar o valor é daquelas que exige a ajuda de calculadora científica ou de uma planilha no computador. Por isso, os especialistas dão dicas para que os consumidores possam ao menos saber se vale a pena apelar para o crediário para adquirir um bem.
Uma pesquisa do portal Vida Econômica (www.vidaeconomica.com.br) com 658 internautas apontou que 12% deles, ou 79, diziam saber calcular os juros que pagariam em uma compra. Porém, diante de dois testes propostos no site, apenas 0,8%, ou 5, chegaram aos resultados corretos. ''A população em geral não tem conhecimento de matemática financeira e é por isso que o governo tenta obrigar as instituições que financiam a informar o quanto se paga de juros ao ano'', diz o professor de economia Adilson Volpi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A pesquisa mostra que 96% dos entrevistados, ou 624, analisam apenas se o valor da prestação cabe no orçamento do mês. O restante verifica o valor das taxas cobradas, o que Volpi considera mais adequado para evitar que a própria renda migre para as instituições financeiras.
Para o professor Antônio Zotarelli, que tem um projeto de educação financeira sustentável na Universidade Estadual de Maringá (UEM), se a pessoa comparar a taxa de juros que paga em uma compra com a que recebe em um investimento bancário, vai perceber o quanto do próprio salário poderia ser economizado. ''As famílias deveriam planejar melhor o orçamento, programar suas compras, para não gerar endividamento'', afirma. Zotarelli diz que, ao saber o quanto paga de juros, também é possível negociar melhor com as instituições.
Volpi sugere que o consumidor peça, em uma compra ou empréstimo financeiro, informações sobre o quanto pagará em juros por ano e comparar com o percentual de inflação anual. A instituição é obrigada a fornecer o valor. ''Se a cobrança for muito além da inflação é porque não vale a pena comprar.''
A última projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aponta para aumento de preços de 5,4% em 2012. Por isso, caso a compra a vista não seja uma opção, Volpi diz que o teto de juros pagos não deve passar de 15%. ''Pelo cartão de crédito se cobra até mais do que 200%'', compara.
Zotarelli acredita que exista uma pressão para que a população consuma, por meio da oferta do crédito fácil. ''Financiamento é em último caso, ou transfiro toda minha renda para as financeiras. No caso de uma casa, tudo bem, porque é um investimento.''
Sobre compras à prazo, o professor da UFPR orienta que o consumidor compare o preço a vista com o valor total do parcelamento. Ele ainda alerta para que o cliente não caia na armadilha da oferta do mesmo valor para pagamento no ato e em três parcelas, por exemplo. ''Ninguém vai arcar com o financiamento de graça. O gerente de loja costuma ter autonomia para dar no mínimo 5% de desconto no pagamento à vista'', afirma, ao pedir que o consumidor procure por uma loja que ofereça o benefício.
Ajuda on-line
Outra alternativa para identificar o quanto se paga de juros é usar simuladores disponíveis na internet, como o do Banco Central do Brasil, pelo endereço www.bcb.gov.br/?calculadora.

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