Você realmente precisa comprar?
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de novembro de 2004
Marilena Rocha<br> Agência Estado 
São Paulo - Compras por impulso e compras compulsivas são dois problemas que afetam grande parte dos consumidores. As primeiras fazem a alegria dos comerciantes e comprometem ou desequilibram o orçamento de boa parte da população. Mas pior mesmo são as aquisições repetidas de artigos desnecessários, por parte de quem está até sem dinheiro. Nesse caso, não tem jeito, o único remédio é buscar a ajuda de um terapeuta.
Já que as pesquisas indicam que um percentual muito grande de consumidores compra por estímulos existentes nos locais de venda, quem não quiser ter problemas financeiros é bom sempre ficar atento para não cair na tentação das compras inúteis e provocadas por armadilhas da publicidade.
De acordo com os especialistas, a melhor forma de evitar a compra por impulso é ir sempre aos mercados, shoppings ou centros comerciais com uma lista no bolso ou na bolsa. Ela deve conter só itens que você ou sua casa estão de fato precisando. Se o dinheiro já é curto por que andar com ele no bolso, além do essencial para a condução ou uma emergência? Também é aconselhável levar uma única folha de cheque e esquecer os cartões em casa. Fazendo isso, você dá um grande passo para se livrar de compras desnecessárias.
André Ranschburg, diretor da RDS Instoremidia, especializada em mídias para o ponto de venda, informa que mais de 70% das decisões de compra ocorrem justamente nas lojas, mercados, farmácias ou quaisquer outros negócios. A RDS é responsável por vistosos adesivos de piso com a foto de produtos colocados em frente às gôndolas para atrair a atenção do consumidor. Também usa a música para aumentar as vendas ao garantir o bem estar de quem circula em pontos comerciais.
Um outro dispositivo, colocado junto aos produtos nas prateleiras, é acionado por presença e emite mensagens com duração de até 45 segundos. Segundo Ranschburg, esses recursos proporcionam um aumento substancial nas compras decididas nos pontos de venda. ''Ajudam muito o consumidor a decidir na hora H, a perceber o produto e querer levá-lo, conforme pesquisas feitas.''
Por tudo isso é indispensável planejar as compras e controlar-se frente ao arsenal de novidades que o mercado despeja todo dia em diferentes setores e nos mais distantes pontos de venda.
É fundamental, ainda, para não ficar no prejuízo e nem acumular objetos desnecessários empenhar-se na devolução ou troca do que foi comprado só por impulso. O Código de Defesa do Consumidor prevê algumas situações nesse sentido.
Outra opção importante é manter um contato direto com os serviços de atendimento ao cliente dos locais de venda. Hoje já são muitos os que facilitam a vida do cliente para não perdê-lo. E fazem diversas trocas até em casos não previstos no código.
Não faltam na cidade brechós ou casas que compram roupas e objetos usados. Não é difícil encontrar lojas que reformam móveis e estofados e muitos outros lugares em que você pode se desfazer do que comprou por impulso ou de forma compulsiva. E assim recuperar parte do dinheiro gasto.
Mas fique atento à frequência com que leva para casa coisas desnecessárias e que nunca serão usadas. Atulhar o lugar em que mora com muitos artigos completamente inúteis pode indicar que você já entrou para o grupo dos consumistas compulsivos. Nesse caso, trata-se de um distúrbio comportamental e, como tal, deve ser corrigido o quanto antes. Não deixe de procurar a ajuda de um especialista para evitar complicações futuras.


