Sempre que a grana está ‘‘curta’’, o consumidor tem um jeitinho bem brasileiro para satisfazer seus impulsos ou necessidades de compra, o crediário. O hábito, que se tornou uma transação de rotina, garante a sobrevivência de lojas de todos os gêneros e tamanhos.
  Mas o que parece ser uma boa alternativa em determinado momento, pode se transformar em ‘‘bola de neve’’ porque uma parcela considerável da população não faz planejamento financeiro.
  O crediário, mesmo sendo uma opção para pessoas de média e baixa rendas, tem as suas ‘‘armadilhas’’. Algumas lojas, por exemplo, quando anunciam seus produtos, falam apenas o valor das prestações e omitem o número de meses para quitar o débito. Isto sem falar que os juros embutidos nas prestações aparecem com letras bem pequenas.
  De acordo com o economista Renato Pianowski de Moraes, as pessoas compram a prazo com o valor da prestação que cabe no orçamento e não observam o número de prestações, nem os juros: ‘‘Isto é prá lá de errado; com juros na ordem de 5% a 7% (ao mês), eles vão pagar o preço de uma geladeira ou televisão duas ou três vezes’’.
  O economista sugere que ‘‘o mais inteligente seria guardar esse dinheiro e aí comprar à vista’’. Segundo Pianowski, o crediário deveria ser usado ‘‘apenas nas emergências’’, isto é, quando um aparelho estraga e não vale a pena o conserto.
  Os consumidores tem opiniões divididas quanto ao crediário. O vendedor Rodrigo Fongari, 22 anos, diz que prefere fazer compras à vista, ‘‘na medida do possível’’. Ele afirma que sempre faz pesquisa de preços ‘‘porque há uma diferença muito grande de uma loja para outra’’. E cita o exemplo de um relógio que comprou por R$ 160,00. Em outra loja, o mesmo produto custava R$ 280,00.
  Adilson Borges, 32 anos, também vendedor, diz que ‘‘às vezes’’ pesquisa antes de comprar; ‘‘a gente percebe uma diferença muito grande entre as lojas’’. E a demonstradora Lourdes Rodrigues Ferreira é o perfil da pessoa que não pesquisa de jeito nenhum: ‘‘Eu chego na primeira loja e já vou comprando, por isso nem percebo a diferença de uma loja para outra; e faço assim também com os eletrodomésticos’’. Na opinião dela, ‘‘o homem pesquisa mais que a mulher’’.
  Para Pianowski ‘‘não fazer pesquisa é um problema muito sério’’. O economista explica que a diferença de preços pode variar, de um supermercado para outro entre 20 a 40% em produtos simples como a cerveja, o arroz ou um creme dental: ‘‘É uma diferença enorme num país com inflação de meio por cento’’, finaliza.

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