Você está preparada para a aposentadoria?
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Vera Fiori<br>Agência Estado 
São Paulo - Já pensou na sua aposentadoria ou é daquelas que nem pode ouvir falar no assunto? Você não está sozinha: de cada cem pessoas que se aproximam da idade de se aposentar, apenas duas são financeiramente independentes. Trocando em miúdos, uma minoria se prepara para essa inevitável fase da vida. Para as consumistas de plantão, a má notícia é que, segundo pesquisas, 80% da população brasileira vivem com até dois salários mínimos, sendo que 24 % do orçamento são engolidos pelo supermercado e 15%, por gastos com saúde.
Levando-se em conta que a expectativa de vida entre as mulheres é oito anos a mais do que entre os homens, está mais do que na hora de rever conceitos. Para a comentarista econômica Mara Luquet, a resistência à aposentadoria começa pelo estigma da palavra, associada ao fim da vida, o que não é verdade. A mulher de 50, 60 anos, graças aos avanços da medicina e da ativa participação no mercado de trabalho, quer distância das agulhas de tricô.
O grande desafio é desmistificar o envelhecimento e varrer da cabaça idéias soturnas. Já se você pensar no conceito de independência financeira e nas coisas boas que a aposentadoria pode proporcionar, a idéia muda de figura, fala Mara, que, juntamente com jornalista Andréa Assef, divide a autoria do livro Aposentada Ficava a Sua Avó - um Guia de Independência Financeira das Meninas Iradas! (ed. Saraiva). A autonomia financeira liberta a pessoa de um trabalho chato, e encoraja novos desafios. O dinheiro, diz ela, é parte do processo, mas a saúde e bem-estar estão em primeiro lugar. Como diz no livro, trabalhar com prazer faz um bem danado para o corpo e a mente.
Ok, mas além de exercer uma atividade prazerosa, não se deve esquecer que, para viver bem e sem aborrecimentos muito além dos 60, é preciso evitar dívidas, ter um fundo generoso de reserva e um custo fixo baixo.
No Brasil faltam pesquisas a respeito, mas nos Estados Unidos estudos apontam que a incidência de pobreza entre mulheres na terceira idade é de 20%, número que sobe entre as negras. A partir de uma experiência pessoal, Teresa Heinz Kerry, esposa do político John Kerry fundou uma ONG que promove a educação financeira das mulheres. Quando perdeu o primeiro marido, John Heinz, o magnata do catchup, revelou que se sentiu insegura quanto ao futuro. Se ela, uma mulher bilionária, ficou insegura, imagine as outras?
Segundo a comentarista, culturalmente, a mulher sobretudo a latina é muito sensível às demandas da família e, por isso, não se preocupa com um sistema de poupança pessoal. Há também a questão econômica. Quando empregadas, as mulheres ganham em média 30% a menos do que os homens brasileiros. Isso sem contar as chefes de família (18,5 milhões em 2006, segundo o IBGE), responsáveis diretas pelas despesas da casa, saúde, educação, transporte e alimentação dos filhos.


