É bem provável que você tenha se assustado com esse título ou está se perguntando: ‘‘Onde já se viu um relógio custar mais de 13 mil?’’ Mas isso não é nenhuma pegadinha, muito menos uma nova maneira de despertar as pessoas. Como todo cidadão ‘‘normal’’, você está acostumado a relógios com preços entre R$ 100,00 e R$ 250,00. Porém, se você for um cliente exigente e vaidoso, poderá pagar algo em torno de R$ 500,00.
  Agora, se você é uma pessoa ‘‘econômica’’, vai encontrar relógios bem mais em conta. No camelódromo, por exemplo, é possível comprar um relógio por apenas R$ 10,00 ou um modelo infantil por R$ 4,00.
  E você, em sã consciência, compraria um relógio por R$ 13,280,00? Este não é um valor aleatório e nem inventado. É quanto custa um tipo de relógio suíço, modelo oficial das forças aéreas americanas, em uma loja de Londrina.
  Se você se interessou pelo produto, mas tem outras prioridades - o que é absolutamente compreensível, não se preocupe. A loja está com um crediário ‘‘superfacilitado’’ em cinco vezes. Mas preste atenção para esta notícia de última hora: a loja acaba de lançar uma promoção ‘‘imperdível’’, aumentando para dez o número de parcelas. Não ficou bem mais fácil? Mas há uma ressalva: a promoção é por tempo limitado. (Não é todo dia que a gente encontra uma oferta assim; uma pechincha!)
  Entretanto, se você é do tipo de pessoa que leva tudo a sério, veja o que daria para fazer tendo R$ 13.280,00 disponíveis: comprar as menos 100 relógios comuns; comprar entre 12 a 18 aparelhos de TV de 29 polegadas, dependendo da marca e da loja; comprar um carro popular usado; fazer a sua compra de mercado durante quatro anos, gastando R$ 276,00 em média por mês; comprar um litro de leite por dia durante 32 anos; e, dependendo da atividade, abrir o próprio negócio. As revistas especializadas no assunto trazem dezenas de sugestões de negócios abaixo de R$ 10.000,00.
  Outra curiosidade: um brasileiro que ganha R$ 1.200,00 (brutos) por mês, precisaria guardar todo o salário durante um ano e ainda todo o décimo-terceiro, sem desviar um tostão para outra finalidade, e mesmo assim faltaria um pouco de dinheiro para comprar o tal relógio.
  A secretária Alessandra Carla Pena, ao ser informada sobre o valor do relógio, ficou espantada: ‘‘Jesus!’’ Ela disse que ‘‘não compraria um relógio por esse preço de maneira nenhuma, nem que tivesse dinheiro’’. E se tivesse esse montante disponível, ‘‘reformaria meu apartamento, abriria um negócio ou compraria coisas para meu filho’’. A atendente Silvia Góes diz que ‘‘jamais compraria um relógio por esse valor, é supérfluo; gastaria em coisas mais úteis, um carro usado, por exemplo’’.
  Também o taxista Armando de Jesus ‘‘não compraria esse relógio de jeito nenhum, mesmo que tivesse dinheiro’’. Ele diz que, na maioria das vezes, faz corridas de táxi com valores entre R$ 5,00 e R$ 8,00 e ‘‘não tenho idéia de quantas seriam necessárias para comprar um relógio de 13 mil’’. (Considerando o valor de R$ 8,00, seriam necessárias 1.660 corridas).
  O economista Luis Miguel Arturo, baseado em informações do IBGE, afirma que menos de um por cento da população brasileira teria condições financeiras de comprar um relógio com aquele valor. Segundo ele, ainda que devem ser consideradas questões subjetivas, como dar um presente de grande valor para alguém (lado emocional), ou até mesmo de ostentação (poder), isto é, a pessoa compra para autoafirmar: ‘‘Eu tenho méritos superior à média’’.
  Para Arturo, não é só o fato de ter dinheiro que interfere neste tipo de decisão: ‘‘É preciso saber até que ponto a pessoa está disposta a gastar tanto com um produto’’.

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