O Brasil é um verdadeiro paraíso da pirataria. Quase 50% das vendas de CDs e DVDs no País são feitas pelas mãos de ambulantes e particulares, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É comum nas grandes cidades, a informalidade botar bancas ou estender panos em calçadas e áreas de maior movimento de pedestres para vender produtos falsificados. E é quase impossível encontrar uma pessoa que nunca tenha comprado um CD, DVD, programa de computador, tênis ou brinquedo no mercado paralelo.
A pirataria é, por definição, uma atividade informal que consite em copiar, reproduzir ou utilizar uma obra intelectual ou marca protegida sem a devida autorização.
O zootecnista Rodrigo Ferri Zamarian admite comprar CDs piratas. ''O que me leva a comprar um produto pirata é basicamente o preço, a diferença é muito grande e a qualidade é a mesma'', justifica. Ele atribui o preço alto dos produtos originais à carga tributária. ''Os tributos encarecem os produtos para o consumidor final e por isso a pessoa fica sem alternativa; se a carga tributária fosse menor, o produto ficaria mais acessível à população'', acredita.
A promotora de vendas Gislaine Terra diz que leva em conta somente o preço na hora de comprar um CD ou DVD e nada mais. ''Eu compro o pirata porque é mais acessível; o original é muito caro'', justifica. Ela cita como exemplo um jogo de computador que pretendia comprar para o sobrinho. ''Um original custa R$ 30,00, enquanto no pirata eu pago apenas R$ 5,00.''
O aeroportuário Paulo Rogério Moreira reconhece que ''quase 100%'' de tudo o que compra em termos de filmes, shows e música, é pirateado. E o motivo é exatamente o mesmo: a diferença de preço. Moreira fala de um DVD que custa R$ 40,00 no mercado formal e R$ 5,00 no mercado paralelo. Para ele, a única saída para reduzir os preços destes produtos seria o governo baixar a carga tributária e os encargos sociais. ''Isso ajudaria bastante; o preço não precisa chegar lá embaixo porque o comerciante também precisa ter o seu lucro'', afirma.
O produtor musical Wilmar Cirino reconhece que o comércio paralelo de CDs causa prejuízos a todas as pessoas e empresas envolvidas no processo de produção. Ele diz que é contra a pirataria, mas é também contra o preço do produto original. ''A pirataria só existe porque o produto original é muito caro e o povo não tem poder aquisitivo'', afirma.



Para economista, carga tributária é extorsiva

Para o economista Renato Pianowski de Moraes a redução da carga tributária no Brasil, que é uma das mais altas do mundo, depende essencialmente de vontade política. ''O governo não baixa os impostos com medo de perder arrecadação, mas quanto mais se baixa o imposto, mais se arrecada'', afirma.
O economista diz que a carga tributária atual ''é extorsiva''. Segundo ele, com a redução de impostos seria possível vender um CD por R$ 10,00 ou R$ 12,00, o que considera acessível para a população. Ele ainda sugere a construção de uma zona franca na região central do País a exemplo da existente em Manaus para acabar com a pirataria.
Outro aspecto citado pelo economista é quanto ao destino do dinheiro arrecadado com os impostos. Ele cita o exemplo da Dinamarca, onde a carga tributária fica em torno de 80%, mas a população tem educação, saúde e segurança ''do berço ao túmulo'', afirma.
O comércio paralelo, sob qualquer pretexto, é uma atividade condenada pela Associação Comercial e Industrial de Londrina, que o define como ''uma concorrência ilegal e desleal''. A assessoria de imprensa da Acil informa que o comércio legal de CDs e DVDs na cidade ''encolheu por conta da pirataria e está chegando a um ponto de estrangulamento''. (E.A.)


Parâmetros
As baixas de preços registradas na Ceasa de Londrina ainda não chegaram ao consumidor. Em vários supermercados da cidade, por exemplo, o chuchu e a abobrinha estão com preços em torno de R$ 2,00 o quilo.

Marca própria
Produtos com marcas próprias não são, necessariamente, sinônimo de preços mais baixos. Em um supermercado local, o feijão carioca com marca própria é vendido a R$ 2,35 o quilo, enquanto em outro supermercado, sem marca própria, o feijão carioca está em torno de R$ 1,60 o quilo.

Varejo
As vendas do varejo nacional caíram 0,38% em junho na comparação com maio, segundo pesquisa do IBGE divulgada ontem. Entre as atividades do varejo cujas vendas são pesquisadas pelo instituto, o pior resultado em junho foi registrado em móveis e eletrodomésticos, com queda de 5,07% ante maio, seguido de tecidos, vestuário e calçados (-2,35%). O segmento de hiper, supermercados e produtos alimentícios, com maior peso na pesquisa, registrou aumento de 1% nas vendas em relação a maio.

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