O empresário Ary Sudan, diretor da fábrica londrinense de baterias automotivas Rondopar, há 32 anos no mercado, demonstra estar alinhado aos dados apontados na pesquisa da Fiep. "Não faz sentido você mobilizar energia e esforços em atividades em que não são a razão de ser do negócio ou etapas da produção cujo grau de especialização é oferecido por uma empresa focada apenas naquele serviço", explica Sudan.

Com 15% de atividades de sua empresa terceirizadas, Sudan comenta que com o advento da lei passará a 35% por conta de uma parceria com outra empresa altamente especializada na produção de determinados componentes para a bateria. "No meu entendimento, os ganhos são para todos e para um País mais competitivo. Isso porque eu consigo tornar o meu produto melhor e mais competitivo, sem deixar mais complexo o processo de produção da fábrica, já que a empresa terceirizada realiza tal serviço com melhor qualificação e dentro do prazo, enquanto nos esmeramos em sermos mais eficientes naquilo que somos melhores", justifica.

Mesmo para colaboradores, o empresário defende que a possibilidade de ganhos se multiplica à medida que se percebe como oportunidade de empreender. "Nesse cenário há uma mudança de mentalidade. Troca quem ganha salário por profissionais que irão fazer o próprio salário", aponta. Ele cita um caso que ocorreu na própria Rondopar, que atualmente possui apenas 30% do transporte contratado. Dos 70% terceirizados, muitos são prestadores de serviços que em algum momento foram motoristas da Rondopar que demonstravam vocação de empreender. "Tenho exemplos de ex-funcionários que começaram com um caminhão e hoje têm de 40 a 50 caminhões, multiplicando os ganhos de uma forma que jamais conseguiriam como funcionários", compara. "Às vezes, por questões legais, um profissional melhor é nivelado pelo salário de outro apenas por ocupar a mesma função", acrescenta.

Outro aspecto que reforça o entusiamo de Sudan com a terceirização é o intercâmbio de boas práticas e processos da empresa contratante e suas prestadoras de serviços, que acaba promovendo uma melhoria contínua de toda a cadeia. "É sabido que o conhecimento técnico de ponta está concentrado nas pequenas empresas. Nessas parcerias há uma multiplicação desse aprimoramento e todo mundo passa a fazer melhor. Na Rondopar, promovemos um evento entre colaboradores, fornecedores e prestadores de serviço justamente para estimular tudo isso". (M.M.)

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