Voar de avião vai ficar mais barato
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de janeiro de 1998
Agência Estado Rio de Janeiro 
Com a liberação total para os preços de passagens em vôos charters (alugados), feita por portaria publicada pelo Departamento de Aviação Civil (DAC), e o programa Voa Brasil, da Varig, que entrou em vigor no domingo, as tarifas aéreas vão ficar mais baratas e muita gente que nunca tinha viajado de avião vai poder passar a utilizar o transporte. A idéia é atingir um novo público, criado pelo real, que nunca andou de avião, explicou o presidente da Varig, Fernando Pinto.
As pesquisas, conta, indicam que são cerca de 13 milhões de pessoas que começaram comprando eletrodomésticos e agora querem voar de avião. Segundo ele, com a desregulamentação do setor estão sendo atraídos novos passageiros para o mercado de aviação. Pinto explica que, pelo programa da companhia, 20 vôos diários com passagens variando entre R$ 100,00 e R$ 197,00 estarão partindo todas as noites de São Paulo, Brasília e do Rio de Janeiro para três capitais do Nordeste e Porto Alegre. São preços, em algumas linhas, menores que os cobrados por empresas rodoviárias que fazem o percurso em ônibus leito, diz o executivo. Os descontos chegam a 60% da tarifa convencional.
Já pelas novas normas dos vôos charters, as agências de viagens e empresas aéreas também ficam livres para desvincular o transporte aéreo de pacotes turísticos. Os passageiros poderão comprar apenas bilhete aéreo, por exemplo.
A medida, segundo o DAC, tem como objetivo aumentar a concorrência entre as companhias aéreas e favorecer os passageiros. O diretor do órgão, tenente brigadeiro Masao Kawanami, disse acreditar que o usuário poderá viajar a preços mais baixos. Além disso, ele destacou que a medida permitirá que uma nova faixa do mercado seja beneficiada.
O presidente da Varig considera um ponto positivo para os passageiros a liberação dos vôos charters. Para ele, a medida do governo faz parte de um programa para o desenvolvimento do mercado de transporte aéreo brasileiro. O executivo acredita, entretanto, que estes tipos de vôos terão um grande impulso no Verão, durante a alta temporada de turismo. Depois devem ser reduzidos, avalia. Na opinião de Pinto, o Brasil deve seguir o modelo do mercado de aviação americano - no qual a venda de assentos promocionais, com tarifas mais baratas, têm a preferência dos passageiros.


