Seo Manoel dos Santos tem 75 anos e se aposentou com um salário mínimo há 15 anos, por invalidez. A situação financeira, com o salário pago pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) não mudou em nada. Seo Manoel nunca conseguiu ganhar mais que um mínimo em toda sua vida como trabalhador rural e, mais tarde, desmatando áreas no Norte do Paraná.
Hoje, ele mora na zona norte de Londrina com a mulher e dois filhos, um deles desempregado. Para ajudar no orçamento doméstico, seo Manoel resolveu abrir uma barraca no quintal de casa, onde vende doces, pinga, cerveja e refrigerante. ‘‘Mas quase não tem movimento. O povo aqui não tem dinheiro para gastar com essas coisas’’, diz.
Mesmo não rendendo muito, com o dinheiro que tira da barraca ele consegue pagar água e luz. Com o dinheiro da aposentadoria, põe comida na mesa. ‘‘Não dá pra garantir mistura todo dia, mas arroz e feijão nunca faltou e eu nunca trouxe nada de lugar nenhum que não fosse comprado.’’
Apesar da vida dura que leva, com o orçamento sempre muito apertado, seo Manoel não reclama. ‘‘Quando eu era criança nem salário mínimo tinha. As pessoas ficavam velhas e dependiam dos outros para viver. Hoje tem pelo menos esse dinheirinho. Agradeço a Deus por isso.’’ Com o reajuste do salário mínimo, que seo Manoel não sabia que ocorreria a partir de hoje, ele pretende, quem sabe, comer um pouco melhor. ‘‘Não é muito, mas dá para comprar uns quilos de carne.’’
O fosseiro Valdenor Antonio Francisco também se acostumou a viver com um salário mínimo. ‘‘Às vezes, dependendo do volume de serviço, a gente ganha um pouquinho mais’’, diz ele, que mora com a segunda mulher no Fundo de Vale José Belinati, na zona norte, e tem quatro filhos com a primeira esposa. ‘‘Com esse dinheiro não dá para fazer quase nada. A gente não paga água, nem luz. É só pra comer mesmo.’’
Quando alguém fica doente, a segunda mulher de Valdenor, Angela Luíza da Silva, tem a receita: ‘‘Remédio, quando precisa, é caseiro mesmo’’. O fosseiro sempre morou em favela. ‘‘Nunca pude pagar aluguel de casa melhor.’’
Se para essas pessoas viver com um salário mínimo exige malabarismos, para a jovem Daiane Bisters ganhar R$ 180,00 por mês é um sonho. Para ela, a vida sempre foi dura. Os pais são separados. Ela mora num barraco com uma tia desempregada. Para sobreviver, Daiane cuida de uma criança de dois anos. Pelo trabalho, recebe R$ 40,00. Metade, a adolescente dá para a mãe. Com os outros R$ 20,00, vivem ela e a tia. Às vezes, as duas conseguem uma cesta básica doada por um igreja próxima ao local onde moram.
Os problemas familiares também afastaram Daiane dos estudos. Ela concluiu a 7ª série há um ano e planeja, um dia, voltar a estudar. ‘‘Se eu ganhasse R$ 180,00 daria R$ 50,00 para minha mãe e com o resto colocaria comida dentro de casa.’’ Ela não faz planos de sair, passear ou comprar roupas novas. ‘‘Não sou de sair de casa e só de ter o que comer está bom demais’’, diz.

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