‘‘Vivemos uma revolução’’
- A Sercomtel não disputou a Banda B em função das elevadas exigências financeiras previstas em edital. Isto não quer dizer que a empresa também terá dificuldades para bancar os investimentos futuros no setor?
Rubens Pavan - Agimos na Banda B com os pés no chão. Até mesmo nossos parceiros internacionais no consórcio ficaram impedidos tecnicamente de participar porque as regras eram totalmente voltadas às mega-empresas. Mas não desistimos da Banda B, podemos trabalhar para essas empresas como operadora terceirizada. Também é um bom negócio. Cada novidade tecnológica implica em milhões de dólares, e não se concebe mais que uma empresa arque sozinha com os investimentos, esta é uma tendência geral da economia.
- Qual é o papel de uma operadora como a Sercomtel neste mercado?
Pavan - Estamos vivendo uma revolução nas telecomunicações, com novidades quase todo dia. As operadoras são os canais adequados para a transmissão desta evolução científica. As necessidades são presentes, em Nova York, mas também em Londrina. Há um crescimento mundial de pagers, telefonia móvel, videoconferência, computadores e faxes portáteis, correio-eletrônico, CD ROMs, redes locais, Internet e Intranet. Em breve, telefone, televisão e microcomputadores serão uma coisa só. Ao contrário da visão antiga, uma companhia telefônica não vive, hoje, só de vender terminais. Nós transportamos informação para facilitar a vida das pessoas, este é o objetivo. Para isso, empregamos soluções inovadoras em comunicação, apoiada em tecnologias avançadas como fibras ópticas e Centrais de Processamento Armazenado.
- Alguns setores já disseram que a abertura do mercado trará a privatização da Sercomtel. Eles estão errados?
Pavan - Olha, no jogo de mercado tudo é possível. Muita coisa vai acontecer ainda e nós temos de apostar, por ora, no fortalecimento da Sercomtel sob controle público e com parcerias na iniciativa privada. Há uma longa estrada a ser percorrida. Este, a meu ver, deve ser o nosso propósito. Até poucos dias a Sercomtel era monopólio, agora teremos concorrentes, como acontece nos Estados Unidos, em que o cliente escolhe a operadora que quiser. Qualquer mudança de posição no mercado não se dará do dia para a noite. O mercado vai sofrer mais transformações, vai criar um ritmo próprio e novos interesses vão surgir, novas regras serão decretadas. O importante é que a empresa fique cada vez mais forte. A valorização de nossa Empresa traduz-se pelo seu tamanho no mercado, a competência do seu quadro, e as opções tecnológicas que oferece. Este perfil é poderoso e ajuda em qualquer negociação, até para uma possível privatização.
- Por isso que a Sercomtel está procurando aumentar o seu número de clientes?
Pavan - Na verdade, a valorização será importante para a Empresa se fortalecer, porque as possibilidades apresentadas pelo mercado aberto são inúmeras: parcerias, investimentos, vendas de ações e, até mesmo, a privatização da Empresa. Mas, volto a dizer, a Sercomtel tem muito o que crescer. É claro que devo observar que, nas telecomunicações, tudo depende do nosso desempenho financeiro e tecnológico, do comportamento do mercado nos próximos anos. Falo hoje com base nos números atuais de nossa Empresa e em nosso planejamento.
- E sobre a preservação da ‘velha’ autarquia...?
Pavan - É uma idéia totalmente superada, basta ler os jornais para ver que o mercado foi aberto pelo Governo Federal. Na competição, uma autarquia morreria à míngua.
- Qual é a avaliação dos serviços da Sercomtel?
Pavan - Somos elogiados com frequência, mas devemos ter a humildade de reconhecer que muito da nossa eficácia foi obtida na fase da exclusividade, do monopólio, quando não tínhamos rivais. Demonstrar a mesma eficácia no mercado competitivo será o nosso maior desafio. Recebemos, às vezes, algumas críticas, mas são localizadas e corrigidas porque melhoramos nosso canal de contato com o cliente, através de mecanismos internos, como o Projeto Voz. Nossos indicadores técnicos de congestionamento de celular são irrisórios, as chamadas interurbanas recebidas pelo londrinense apresentam os melhores índices do País. Já digitalizamos quase 80% da nossa planta telefônica para eliminar ruídos e distância no transporte de dados. O índice nacional de digitalização é de 55%.

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