Oswaldo PetrinVitória do déficit
-De nada adiantaram os juros ‘‘mais altos do mundo’’ praticados no Brasil para atrair investidores. E o câmbio irreal, acumulando defasaem em prejuízo das exportações também em nada contribuiu. Tanto sacrifício na economia -alguns setores foram mais penalizados outros menos - de nada adiantou: o governo está capitulando diante do gigantismo do déficit público.
-A verdade veio à tona, ontem, na presença de uma missão do FMI: É que a piora nas contas do setor público, este ano, poderá levar o governo a adotar novas medidas de ajuste fiscal, admitiu o ministro-interino da Fazenda, Pedro Parente.
-O FMI - cujos técnicos estão no Brasil - havia estimado um déficit nominal equivalente a 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 1998. ‘‘Certamente esse número será revisto, porque eles sempre revêem as previsões’’, disse o ministro-interino. ‘‘Será uma revisão negativa.’’
-Em primeiro lugar, o ministro-interino da Fazenda, Pedro Parente, certamente levará uma bronca do ministro Malan ou diretamente do presidente FHC. É que ele admitiu que o governo pode adotar novas medidas de ajuste fiscal. Admitir todo o governo já vinha admitindo (há um pacote fiscal em andamento desde dezembro), o problema é que Parente o fez publicamente, ontem, conforme a Agência Estado, dando margem à toda sorte de especulação. (Veja mais sobre o assunto neste caderno de Economia). Dissabores à parte, resta saber como e quando será administrada esta mudança para atenuar o impacto sobre outros setores.
-Mas é bom ter clareza que um ajuste fiscal não tem a extensão de um ajuste econômico. Não causa, necessariamente impacto algum, a não ser de forma localizada. Até porque, estrategicamente, ele será muito tímido, para FMI ver. O problema são as especulações. A economia está sentindo fragilidade no Plano Real. E os agentes especulativos estão de plantão para tirar proveito de qualquer ação, situação ou desinformação. Em ano eleitoral, a franqueza de Pedro Parente faz um estrago. Resta saber se o governo, desta vez, terá mais sorte do que juízo. Tem tido.
-O ministro Malan nunca disfarçou que a atual situação das contas públicas não satisfaz o governo. E como disse Parente, ontem - ‘‘Como está, não pode ficar’’ - buscava um quadro fiscal mais estável para reduzir mais as taxas de juros.
-Há duas razões para a piora: o déficit da Previdência Social, que deverá dobrar neste ano, e as privatizações nos estados. A área fiscal será a que mais receberá atenção da atual missão do FMI. Da última vez em que estiveram no País, a maior dificuldade da política econômica eram as contas externas. Parmalat
O lucro líquido consolidado do grupo italiano Parmalat cresceu para 203 bilhões de liras (US$ 116,87 milhões) em 1997. Ano anterior foi de 190 bilhões de liras. A receita subiu para 7,12 trilhões de liras (US$ 4,10 bilhões).
Operacional
O lucro operacional também cresceu: de 470 bilhões de liras, em 96, para 529 bi de liras (US$ 304,55 milhões) em 97. Se for considerada a aquisição da Beatrice Foods Inc. (Canadá) a receita vai para 8 trilhões de liras em 97.
Expansão
A Parmalat estima que a receita este ano vai superar 10 trilhões de liras. O aumento resulta de um crescimento de 8% na Itália combinado com a completa integração do grupo canadense e as novas aquisições.
Batavo
Em fevereiro, a Parmalat comprou a norte-americana Sunny Dale. Em abril, comprou 51% da companhia que controla a brasileira Batavo. Em maio, a Parmalat adquiriu a russa Belgorod. E fará novas compras no Brasil.
Dividendos
Os investimentos cresceram de 300 bilhões de liras, em 96, para 1,2 trilhão (US$ 690,85 milhões) em 97. O capital usado para aquisições somou 984 bilhões de liras (US$ 566,49 milhões). A Parmalat vai pagar dividendos de 16 liras por ação.

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