Vítimas da Iguaçu terão de esperar muito por ressarcimento
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de março de 2018
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Apesar da primeira condenação criminal por estelionato contra o dono da Construtora Iguaçu do Brasil, Carlos Alberto Campos de Oliveira, ter sido proferida nesta semana pelo juiz da 5ª Vara Criminal de Londrina, Paulo César Roldão, ainda está longe o desfecho de um dos maiores golpes contra consumidores na cidade. Paralelamente as 12 ações criminais ajuizadas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), a Promotoria de Defesa do Consumidor também protocolou, em 2013, uma ação civil pública com o principal propósito de ressarcir as vítimas da Iguaçu ao todo, 234 famílias foram lesadas com a promessa de construção de 13 empreendimentos jamais entregues. O prejuízo estimado é de de R$ 70 milhões.
Segundo o autor da ação, promotor Miguel Jorge Sogaiar, este processo está em fase intermediária: os 13 réus (a Iguaçu do Brasil e outras três empresas em nome de Oliveira, além do próprio empresário e outros oito ex-funcionários, parentes e "laranjas") já apresentaram contestação; aguarda-se o juiz decidir sobre um pedido de perícia técnica formulado pelo Ministério Público e marcar a audiência. "Há uma lentidão natural do Judiciário em razão, inclusive, da necessidade de garantir a ampla defesa a todos", declarou o promotor.
Mais alguns anos serão necessários para o processo, sob responsabilidade do juiz da 9ª Vara Cível, Anacleto Rosa, chegar ao final. "Não temos como estimar o tempo, mas estamos mais ou menos no meio da tramitação; foram necessários três anos para citar os réus", comentou Sogaiar. Ele explicou que solicitou a inclusão no processo de mais um réu, cujas evidências apontavam que seria sócio oculto de Oliveira. O juiz acatou o pedido, mas não decretou a indisponibilidade dos bens deste novo réu. Quanto aos demais, todos tiveram o patrimônio bloqueado.
Com a perícia, o promotor explicou que o objetivo é fazer um levantamento de todos os empreendimentos em nome dos réus para ressarcir as vítimas. "É muito importante para chegarmos aos valores adequados." Ele também pediu a condenação das empresas, parentes e laranjas ao pagamento de indenização por dano moral coletivo, já que toda a sociedade foi lesada com as condutas do grupo.
Mais de uma centena de ações de vítimas do golpe foram protocoladas todas tramitam na 9ª Vara Cível individualmente por consumidores que tentam obter, pelo menos, o valor que investiram nos imóveis não concluídos. Segundo Sogaiar, 86 já foram julgadas, sendo a maioria procedente. Entretanto, estes consumidores estão se habilitando na ação civil pública porque, mesmo tendo ganhado as ações, nada conseguem receber. Ou seja, todos terão que esperar até o final do processo.


