'Vítimas' buscam revisão na Justiça
O técnico de segurança Fernando Ribeiro é uma das vítimas da Tabela Price. Ele entrou na Justiça quando completou o pagamento de pelo menos metade das 300 prestações. ''De um total de 300, paguei 177 parcelas. Isso significa que já paguei o valor de um apartamento e meio e ainda tenho mais 10 anos pela frente para pagar'', conta Ribeiro, que não percebeu a amortização do valor nesses anos todos.
''Quanto mais pagava, mais crescia minha dívida. Entrei com uma ação e consegui uma liminar para depósito em juízo de 75% do valor da prestação'', conta ele, que ficou um ano sem pagar. No dia 13 de junho Ribeiro tem uma audiência para tentar resolver o problema de uma vez por todas. ''Espero entrar num acordo. Pelos cálculos e planilhas, eles (agente financeiro) tinham que me devolver dinheiro, mas nem quero isso, quero que eles quitem meu apartamento porque já está muito bem pago'', disse. Hoje, o imóvel de Ribeiro está avaliado em R$ 20 mil. Ele acredita que a substituição da tabela poderá beneficiá-lo ainda mais.
O digitador Adib Cury Harsuch Neto já pagou pelo menos três vezes o valor que financiou em 1990 para construir uma casa de 50 metros quadrados. Ele entrou na Justiça contestando os valores e conseguiu baixar, através de uma liminar, as prestações de R$ 180 para R$ 83. ''Hoje pago duas de R$ 83 uma vencida porque parei por alguns anos de pagar e a outra a atual. Se não fosse procurar meus direitos, estaria pagando R$ 180 por apenas uma parcela'', comentou Neto, que tem ainda pela frente pelo menos 15 anos de financiamento.
''A gente espera ser beneficiado com essa ação da ANM, porque a maioria dos que comprou imóvel nessas condições já pagou valor a mais. A gente é pobre e honesto. Esta casa é minha dignidade, minha segurança e de meus filhos, quando fiquei sem pagar porque perdi o emprego, quase foi à leilão'', desabafou Neto, acrescentando que o agente financeiro faz propaganda dizendo ser um banco social, mas ''na verdade não há nada de social no que faz''.(V.B.)





