Visões opostas sobre a reforma fiscal por dois economistas
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domingo, 03 de abril de 2016
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Embora moribundo, o governo Dilma Rousseff (PT) encaminhou ao Congresso Nacional na semana passada uma proposta de reforma fiscal. O pacote elenca uma série de medidas de redução de custos da máquina pública bem diferentes daquelas aplicadas pelo governo petista em mais de 13 anos. Basicamente, as propostas estão relacionadas a cortes nos vencimentos dos servidores públicos. Até um programa de demissão voluntária (PDV) do funcionalismo está contemplado no terceiro de três estágios previstos para reforma (ver quadro).
Dilma também propõe criar o Regime Especial de Contingenciamento (REC), que permite ao governo cortar verbas em áreas como defesa, universidades federais e até na merenda escolar toda vez que a variação do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil for inferior a 1% nos quatros últimos trimestres situação vivida pelo País desde 2014.
A reportagem procurou dois economistas especializados em contas públicas para avaliar as propostas: Rodrigo Zeidan, professor da Fundação Dom Cabral (FDC), com doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFPR), e Istvan Kasznar, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), pós-doutor pela California Coast University de Los Angeles (EUA).
E as avaliações foram bem diferentes. O primeiro considera o pacote insuficiente porque não propõe mudanças estruturais. "O Brasil precisa de um choque de realidade", diz Zeidan. Já Kasznar acredita que as medidas vão na contramão do que o País precisa. Para ele, o governo tem de gastar mais. "Num quadro de três anos seguidos de recessão qualquer tipo de redução de dispêndio deve ser visto com muita preocupação e bastante atenção", ressalta.
Confira a seguir as duas entrevistas concedidas por telefone à FOLHA.




