Paranaguá - A presidente da 4 Turma do Tribunal Regional Federal da 4 Região (TRF4), Marga Tessler, disse que as informações que obteve com a audiência pública e a visita ao porto vão influenciar os próximos julgamentos do tribunal sobre Paranaguá. ''Cumprimos os nossos objetivos com essa audiência pública'', afirmou. Ela disse que o desejo de todos é que o porto funcione da melhor forma possível. ''A impressão que eu colhi aqui, num primeiro momento, é que se trata de um porto muito organizado'', disse.
Ela revelou que esta foi a primeira vez que entrou em um porto. Marga ressaltou que seria útil para todos e que as demandas judiciais fossem resolvidas de modo satisfatório. ''Temos que conhecer mais o que está acontecendo para poder julgar o mais rápido possível'', disse.
O juiz federal Márcio Rocha disse que a visita ao porto permitiu ter uma aproximação com as partes que representam os diversos interesses da atividade portuária. ''Trouxe esclarecimentos que nós não teríamos como obter apenas na leitura fria dos processos. Acredito que, agora, será mais fácil julgar os processos'', destacou. Só na Vara da Justiça Federal de Paranaguá há sete ações que tramitam e que tratam desde o recebimento da soja até o carregamento no porão dos navios.
O representante do Sindapar, Vitor Pinto, destacou que Paranaguá é o único dos dez portos do Brasil que exportam grãos que tem restrições à soja transgênica. Segundo ele, os contratos da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec) exigem apenas que a soja seja brasileira. Ele destacou que a China é o maior importador de soja do Brasil e não exige que o produto seja convencional ou transgênico. No total de 24,3 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil, a China compra 47%. Ele destacou que entre 2005 e 2006, o Porto de Paranaguá teve uma redução de 22,29% na soja embarcada enquanto São Francisco do Sul apresentou crescimento de 16,42%.
Clauber Candian, que faz parte do deparmento de operações do porto e representou a Appa, disse que só se escuta falar mal em Paranaguá dos três berços do corredor de exportação e de todo o restante do cais comercial. Segundo Candian, neste ano, Paranaguá aumentou em 35% a exportação de grão e São Francisco do Sul teve elevação de 30%. ''De 2 mil reclamações internacionais que recebemos até 2003, hoje não há nenhuma'', disse. Segundo ele, dados da Secretaria Estadual de Agricultura (Seab) apontam que a produção do Paraná é de 50% de soja convencional e 50% de transgênica. (A.B.)

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