Visita de O'Neill é sinal de apoio dos EUA, avalia governo
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quinta-feira, 18 de julho de 2002
Agência Estado 
Brasília - O governo avalia que a visita do secretário do Tesouro americano, Paul O'Neill, ao País dará o sinal da intenção dos Estados Unidos de fazer uma ''pequena mudança'' no rumo da sua política externa e, em especial, de revitalizar as relações bilaterais, corroídas desde o segundo semestre do ano passado. De forma imediata, a presença de O'Neill deverá selar o apoio dos Estados Unidos a um possível novo acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI), para a transição para o novo governo.
Além de seus efeitos práticos, essa iniciativa deixará clara a preocupação americana com a escalada da turbulência econômica no Cone Sul. Fontes da diplomacia afirmaram que a mudança de rumo da política externa americana, mesmo em escala reduzida, segue o próprio contexto da economia desse país.
Em um cenário no qual os seus indicadores fiscais e das contas externas estão com a luz amarela acesa, a recessão se agrava em vários mercados mundiais e os escândalos contábeis em grandes companhais americanas pipocam a cada semana, Washington teria se dado conta de que o aprofundamento da turbulência econômica na América do Sul somente pode lhe trazer ainda mais problemas.
O risco de instabilidade na transição do governo FHC para seu sucessor, nessa leitura, poderia trazer impactos econômicos negativos mais profundos na região que a contaminação da crise argentina. Daí a importância da presença de O'Neill, quase em paralelo à visita da vice-diretora do FMI, Anne Krueger.
O'Neill será a segunda autoridade de alto escalão a desembarcar no Brasil desde o início do ano. Em março, o representante americano para o Comércio, Robert Zoellick, veio ao País discutir as medidas de salvaguardas adotadas sobre as importações de aço.


