País economiza R$ 23 bilhões com a redução da dívida pública por conta da queda na cotação da moeda norte-americana


A valorização do real nas últimas semanas terá um impacto favorável direto sobre a parcela da dívida pública atrelada ao câmbio. Somente em novembro, a moeda nacional recuperou 6,56% do seu valor frente ao dólar, o que provocará uma queda de cerca de R$ 23 bilhões no estoque da dívida líquida do setor público.

A virada do mercado cambial, que até o final de outubro vinha acumulando uma alta expressiva, próxima a 40% no ano, está levando o governo a refazer suas projeções sobre a dívida. Nos cálculos do chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, com essa reversão a dívida líquida do setor público, em novembro, deverá ficar abaixo dos 53% do PIB. No final de outubro, a dívida estava em R$ 675 bilhões, o equivalente a 54,4% do PIB.

''Sem dúvida, o impacto do câmbio em novembro será grande. Cada 1% de oscilação na taxa de câmbio provoca uma alteração de 0,26 ponto percentual na relação da dívida com o PIB'', diz Lopes. Por esse cálculo, a dívida líquida em novembro deverá chegar a 52,7% do PIB.

Como o câmbio não é a única determinante, a queda no período dependerá também do impacto dos juros e das novas colocações de títulos que tenham sido efetuadas pelo governo no período.

Para o final do ano, o BC já tinha revisto a sua projeção de 56% do PIB para 53,6% do PIB. ''Se o dólar continuar nessa trajetória de queda, é bem provável que esse número seja revisto novamente'', diz uma fonte do governo. Nessa primeira semana de dezembro, o real já acumula uma valorização de cerca de 5%, considerando a cotação de R$ 2,39 verificada no fechamento do mercado na sexta-feira. Entretanto, mesmo com essa queda, o endividamento brasileiro ainda é considerado excessivamente elevado, fazendo com que as agências internacionais de classificação de risco de crédito avaliem o País pior do que economias como Trinidad e Tobago.

Tanto o volume quanto o perfil da dívida pública brasileira, que tem 33% de seu valor em papéis vinculados ao câmbio, são vistos como motivo de vulnerabilidade do País, segundo os técnicos da Standard & Poor's, uma das maiores agências internacionais de classificação de risco de crédito.

Para Jane Eddy, diretora para América Latina, o fato de a dívida brasileira ser muito sensível às variações na taxa de câmbio e de juros é um agravante em relação a outros países que não vivem tanta pressão nas contas públicas. Por isso, apesar de causar espanto, Trinidad e Tobago está acima do Brasil na escala de risco elaborada pela agência, que serve de referência para investidores estrangeiros na hora de escolher o local para direcionar os seus recursos.


''A dívida deles (Trinidad e Togago) é pequena e não há pressão sobre as contas públicas. O governo solucionou rapidamente o problema quando reestruturou a sua dívida. A classificação não é feita pela importância do país mas pelo risco de crédito'', diz a diretora. (AE)

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