BRASÍLIA - A violência urbana está entre os fatores que devem impulsionar o mercado de telefones celulares no Brasil, avaliam executivos de multinacionais de telecomunicações instaladas no País. O comportamento extrovertido do brasileiro, que utiliza o telefone para longas conversas, inclusive no trânsito, é outro fator de expansão do mercado celular. Além disso, a popularização da Internet deve estimular o crescimento da planta telefônica fixa, segundo projeções da Telebrás.
O presidente da Ericsson, Carlos Paiva Lopes, explica que a violência dos grandes centros urbanos já tem levado as famílias com maior poder aquisitivo a comprar linhas celulares para cada um dos filhos. ‘‘Esse é um meio de comunicação direta com parentes nas situações de risco’’, comenta Paiva Lopes. O diretor geral de Marketing da Alcatel, Luis Antônio Alves de Oliveira, também indentificou essa tendência, que deve se consolidar à medida que os preços do celular forem caindo com o ingresso da iniciativa privada na Banda B.
O diretor da Alcatel aposta ainda que, com a queda da inflação e com a recomposição salarial, o perfil do trabalhador brasileiro está mudando. ‘‘Se não tiver que pagar taxa de adesão à operadora telefônica, será que um mecânico não vai querer um celular para atender melhor aos seus clientes?’’, prevê Oliveira. O executivo estima que só na Grande São Paulo há uma demanda por 3,5 milhões de terminais celulares. A cúpula da Ericsson estima a demanda por terminais celulares em 8 milhões até o ano 2000.
Os planos de investimentos de multinacionais baseados no comportamento do usuário de celular do hemisfério norte ficaram ultrapassados, segundo o diretor da Alcatel. O comportamento extrovertido do brasileiro levou à utilização mais frequente do celular, inclusive no trânsito, enquanto os americanos só recorrem ao celular quando é imprescindível, avalia Oliveira.
‘‘Até há alguns anos, os executivos com menos experiência achavam que o usuário brasileiro seria como o americano, mas ele tem o perfil do israelense: ‘‘walking and talking’’, afirmou o diretor da Alcatel, usando uma expressão em inglês para se referir ao costume de caminhar falando ao telefone celular.
A direção da Telebrás acredita num crescimento expressivo também da planta telefônica fixa do País. Segundo o diretor econômico-financeiro da Telebrás, Sérgio Pereira, as famílias de classe média já estão investindo numa segunda ou terceira linha telefônica reservada à Internet.

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