Violência no Brasil custa 5,09% do PIB
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segunda-feira, 25 de junho de 2007
Adriana Chiarini<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O custo da violência no Brasil é estimado em 5,09% do Produto Interno Bruto (PIB) por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Escola Nacional de Ciência Estatística (Ence). Desse total, 1,65% do PIB é referente ao custo do setor público e 3,43% do PIB são custos do setor privado. As informações são do texto de discussão do Ipea ''Análise dos Custos e Consequências da Violência no Brasil'', destaque da edição de ontem do boletim semanal do Ipea.
Com base em dados de 2004, os pesquisadores do Ipea Daniel Cerqueira, Alexandre Carvalho, Rute Rodrigues e da Ence, Waldir Lobão, estimam os dados totais da violência naquele ano em R$ 92,2 bilhões e um custo por habitante brasileiro de R$ 519,40.
Os gastos de R$ 31,9 bilhões do setor público com violência naquele ano viriam principalmente da manutenção das polícias e das secretarias de segurança (1,45% do PIB ou R$ 28 bilhões em 2004). O restante é referente ao sistema prisional (0,15% do PIB) e os custos de tratamento de vítimas de violência no sistema de saúde (0,06% do PIB).
No setor privado, o custo principal estimado é a perda de capital humano, estimada em R$ 23,9 bilhões naquele ano ou 1,35% do PIB. Os autores estimaram o que as vítimas receberiam durante suas vidas caso elas não tivessem sido interrompidas pela violência. Para isso, usaram a tábua da vida do IBGE, com as variações de expectativa de vida, e projetaram o rendimento das vítimas considerando a renda média por faixas de escolaridade, idade, gênero e localização geográfica.
Os gastos com segurança privada seriam de 0,80% do PIB; os com seguros, de 0,75% do PIB, e as perdas das vítimas por roubos e furtos de 0,53% do PIB.No trabalho, os autores observam que o valor total estimado ''deve ser encarado como um limite inferior para o custo social da violência no Brasil uma vez que vários outros fatores de custo da violência não foram calculados, como: os custos com o sistema de justiça; as perdas com o desvio de turismo; as perdas de bem-estar provocadas por retração nos mercados de bens e serviços; os custos intangíveis motivados por dor, sofrimento e medo, a perda de produtividade motivada por traumas e morbidade, etc''.


