Violência marca protesto de argentinos
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2001
Agência Folha<BR>De Buenos Aires 
A violência marcou ontem a sétima greve geral enfrentada pelo governo De la Rúa. Ônibus apedrejados, conflitos com a polícia, táxis e caixas eletrônicos incendiados, vidraças quebradas: a ira dos manifestantes tomou conta das ruas argentinas. ''Quem convocou as manifestações não foram os sindicatos. Foi o governo, com sua política econômica'', disse o dirigente sindical Hugo Moyano.
Os protestos mais violentos aconteceram na Província de Neuquem. No final da manhã, os manifestantes apedrejaram a Casa do Governo e entraram em choque com a polícia, que os recebeu com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.
A maioria dos manifestantes era formada por funcionários públicos que reclamavam contra o pagamento de salários com títulos. Depois do confronto com a polícia, foram apedrejadas vidraças de lojas, bancos e hotéis. Duas pessoas terminaram feridas.
''O desemprego não pára de crescer, o governo não deixa sacarmos nossas economias e ainda quer pagar nossos salários com bônus. Não dá mais para aguentar ver o Cavallo, ministro da Economia, sacrificar a população argentina'', dizia exaltado Jose Darío, enfermeiro de um hospital de Buenos Aires, enquanto marchava com centenas de manifestantes pelas ruas da capital argentina.
Na cidade de La Plata, ao sul de Buenos Aires, uma agência do banco Nación foi atingida por um coquetel molotov. Várias ruas de Buenos Aires foram bloqueadas por piquetes e queimas de pneus, o que complicou um tráfego já ruim pela maior quantidade de veículos nas ruas devido à paralisação dos meios de transporte de massa.
A greve foi convocada pelas duas dissidências da CGT e a CTA, as três principais forças sindicais do país. Rodolfo Daer, presidente da CGT oficial, estimou que a adesão à greve em todo o país alcançou os 90%. ''Os motivos da greve não estão claros, parece que foi motivada pelas últimas medidas econômicas, mas elas são transitórias'', afirmou o presidente Fernando de la Rúa.
Na frente da casa do ministro Cavallo, aproximadamente cem manifestantes tocaram tambores e gritaram palavras de ordem durante toda a manhã. ''A greve é um plebiscito contra o modelo econômico que levou a Argentina a uma devastação absoluta'', afirmou o porta-voz da CGT dissidente, Julio Puimato.
Nem mesmo os hospitais de Buenos Aires escaparam da paralisação. Consultas e cirurgias foram desmarcadas. Apenas o setor de emergência continuou atendendo a população.
Nem todos os setores aderiram à greve. A maioria dos comerciantes manteve suas portas abertas. O presidente da CAME (que representa os comerciantes), Osvaldo Cornide, afirmou que ''não participa de protestos organizados pela CGT''. ''Nós já fizemos nosso protesto ontem, com o ''panelaço' e o apagão.''


