De Guaravera para o mundo. É isso que a Vinícola Guaravera, instalada no distrito de mesmo nome em Londrina, conseguiu, com a ajuda a Internet expor seu produto a vários países. A indústria iniciou em 1998 vendas virtuais através da rede mundial de computadores. Segundo o diretor da indústria, Nivaldo Barone, a Vinícola Guaravera foi a primeira do setor, no Brasil, a criar uma página na Internet, em 1995. ‘‘Resolvemos utilizar a experiência adquirida neste período e nos surpreendemos com o resultado’’, comenta.
Barone afirma que através da Internet, a vinícola conseguiu chegar a 15 Estados do País e até na França. Os pedidos começaram a chegar no computador em novembro, época que representa 50% das vendas da indústria. Através da rede de computadores, Barone disse que a vinícola comercializou cerca de mil caixas de vinhos. ‘‘Não esperávamos que os resultados fossem tão imediato. Tivemos que correr atrás de transportadoras para enviar os pedidos. Acabamos inclusive perdendo alguns negócios por não ter estruturado uma logística de transporte’’, observa.
Segundo Barone, o grande filão aberto pela Internet foi a venda de vinhos personalizados, utilizados como presente de final de ano por empresas e pessoas físicas. ‘‘O cliente enviava pela rede a logomarca que desejava ver estampada no rótulo da garrafa’’, observa.
O diretor da Vinícola Guaravera diz que esta experiência inicial serviu para medir o potencial de venda da rede. Barone afirma que este ano 10% do volume de vendas da vinícola seja realizado através da rede. ‘‘O potencial de vendas e negócios pela Internet é muito grande. Um dos grandes problemas que ainda enfrentamos é que muito dos nossos parceiros comerciais ainda desconhecem as utilidades e possibilidade da rede’’, observa.
Outro problema identificado pela Vinícola Guaravera é a difi
culdade em se divulgar endereços virtuais. No início, diz Barone, a indústria comprou uma lista com 60 mil endereços eletrônicos e enviou 10 mil e-mails. ‘‘A partir daí começamos a receber pedidos’’, comenta. O problema, segundo Barone, que pela ‘‘ética’’ da Internet, não se pode enviar e-mails sem autorização do destinatário. Por isso, a indústria pretende comprar espaços publicitários em páginas de consulta que recebem grande número de internautas.
Além de divulgar o produto, diz Barone, a Internet possibilita que o fornecedor faça gerenciamento dos estoques do cliente. ‘‘Dessa forma podemos otimizar as vendas’’, comentou.
Expansão Com a perspectiva de aumentar as vendas, Barone já projeta ampliar as instalações da indústria no distrito de Guaravera. Hoje, segundo ele, apenas 5% do vinho é produzido na indústria do Paraná. ‘‘A maior parte vem da nossa unidade no Rio Grande do Sul, que é envasada em Guaravera’’, comenta.
Barone afirma que a indústria, que se instalou no município em 1993, enfrenta problemas com a cobrança de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). ‘‘Quando viemos para Londrina, escolhemos nos instalar no Distrito de Guaravera porque teríamos isenção de IPTU durante 15 anos’’, comenta. Mas segundo Barone, o incentivo previsto na Lei Municipal 5669/93, só foi aplicado à Vinícola Guaravera durante dois anos (94 e 95). ‘‘Agora estamos sendo executados por falta de pagamento e o processo já se encontra em fase de penhora’’, afirma.
O presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), José Cândido Miller Júnior, disse ontem à Folha que o teto máximo estipulado pela lei municipal é de 10 anos de isenção. ‘‘E a lei da mesma forma que concede benefícios, exige cumprimento de algumas obrigações’’, comentou.
A Folha apurou que o artigo 5º da Lei 5669/93 estabelece a isenção de IPTU por 15 anos para indústrias que se instalarem na Zona Rural ou na sede de Distritos do Londrina.

mockup