Vinho do Paraná tem baixo valor agregado
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sábado, 28 de agosto de 2010
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O vinho produzido no Paraná é colonial e tradicional. O produto é fabricado a partir das variedades de uvas americanas híbridas, com parte da produção de uvas do Rio Grande do Sul e outra parcela de matéria-prima paranaense. Possui baixo valor agregado, é acessível ao consumidor com preços que variam de R$ 5 a R$ 8, vendido na propriedade e, grande parte, deve ser consumido dentro de um ano. É um vinho com aroma forte de uva.
Essas foram as principais conclusões de um levantamento realizado pelo Sebrae e o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) sobre as condições de produção de uva e do vinho no Paraná apresentado no Seminário da Uva e do Vinho que ocorreu na última semana em Curitiba.
No caso dos produtores da Região Metropolitana de Curitiba, nos municípios de Colombo e São José dos Pinhais, a localização traz competitividade além de ser uma região turística com o Circuito Italiano de Turismo Rural e o Caminhos do Vinho, sediados respectivamente em cada um dos dois municípios.
No entanto, essa região deixou de produzir uvas há algum tempo por conta do período em que houve a praga pérola da terra, uma espécie de carrapato que afeta a raiz da parreira. Além disso, falta mão de obra interessada. Assim, os produtores dependem da produção de uva do Rio Grande do Sul.
Para o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, José Fernando da Silva Protas, seria necessário ter um programa de retomada da produção de uva na RMC. ''A região tem uma história e potencial interessantes'', disse. A ideia é formatar um programa para oferecer aos produtores treinamento e atualização através da Emater, Sebrae e Ibravin.
Em Maringá (Região Noroeste), o perfil é um pouco diferente. Parte da matéria-prima vem do Rio Grande do Sul e parte é produção própria. A região produz vinho de uva fina, de uva americana e suco de uva. Marialva (17 km a leste de Maringá), município tradicional na produção de uvas, tem uma pequena cooperativa de vinho colonial e suco de uva da agricultura familiar. A região produz 100% da uva que consome.
Já em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), a Cooperativa Corol utiliza a mão de obra de pequenos produtores. A partir do ano 2000, através de um convênio com a Embrapa, foi criada uma variedade de suco concentrado 100% com uva. O local tem cerca de 290 hectares de parreirais.
De acordo com a consultora e gestora do Programa de Hortifrutigranjeiros do Sebrae/PR, com abrangência em Curitiba e Região, Maria Isabel Guimarães, não existe uma estimativa do número de produtores de vinho no Paraná, até porque há muita informalidade no setor. Só na RMC são 200 produtores.
Para ela, é importante que os produtores percebam a importância de se reestruturarem e se mobilizarem para criar uma câmara setorial da uva e do vinho para o fortalecimento do setor. O município de Colombo foi um dos que criou uma cooperativa e São José dos Pinhais está se organizando para isso.
O casal Sirlei e Pedro Hamilton Strapasson já está na terceira geração que produz vinho colonial em Colombo na Vinícola Pedrinho Strapasson. A produção começou há mais de 60 anos com os avós de Pedro que vieram de Veneza (Itália) para a região. A família fabrica vinho tinto seco e suave, branco seco e suave e rose suave em um volume anual de 80 mil a 100 mil litros com utilização de produção de uva 70% própria e o restante de outros produtores do município das variedades terci, niágara branca e rosada.
''Só vendemos o vinho na região. Vem gente de todos os lugares comprar aqui, recebemos bastante turistas'', contou Sirlei. Ela conta que as mudas de parreiras foram trazidas da Itália e algumas existem até hoje.


