Vânia Casado
O café orgânico pode ser uma das soluções para viabilizar a cultura nas vilas rurais. A preocupação é evitar a contaminação das famílias porque as áreas de lavouras estão muito próximas às casas, afirmou o técnico da Emater, Carlos de Biasi, coordenador de extensão nas vilas.
Trata-se de um nicho de mercado mais valorizado e que pode ser explorado pelos vileiros que decidiram plantar o café nas vilas, observou Biasi. Segundo ele, a cultura não foi imposta, mas muitos vileiros das regiões Norte e Noroeste do Paraná decidiram apostar no café como atividade principal. A decisão foi influenciada pela tradição dos trabalhadores volantes com a cultura do café e pela facilidade de implantar o novo modelo tecnológico em áreas pequenas como as vilas rurais.
Mesmo nas vilas rurais, o café é uma das culturas que está proporcionando maior retorno econômico aos pequenos produtores. Numa área plantada de 3.500 metros quadrados, o plantio adensado pode render de 20 a 30 sacas de café beneficiada, o que dá um rendimento de um salário mínimo por mês para a família.
O café adensado surgiu como alternativa de renda para as 41 famílias da Vila Rural Vida Feliz, São Pedro do Ivaí. As mudas - variedade Iapar-59 - estão sendo distribuídas pela prefeitura. O morador Sebastião do Nascimento está empolgado com a cafeicultura. Ele já plantou os primeiros 500 pés e está providenciando mais 3,5 mil pés por lote. Nos melhores anos de produção, cada 25 pés resultam em uma saca de 40 quilos de café em coco. Com três sacas de café em coco se faz uma de café beneficiado, informa o agrônomo Nelson Menolli, da Emater de Grandes Rios. Segundo ele, isso pode fazer com que, nos anos de produtividade alta, a família tenha renda mensal superior a dois salários mínimos, já que a média histórica é de US$ 86 por saca de café beneficiado.

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