O crédito tem sido amplamente discutido em todo país nos últimos dias. Bancos, governo e a população procuram saber de taxas menos salgadas para fechar as contas do mês, consumir ou fazer aquele investimento na produção. O spread, juros que os bancos cobram para emprestar, passou a fazer parte do dia a dia até para iniciados no assunto. A Folha de Londrina tentou desvendar o emaranhado que compõe o spread, com o auxílio do economista Azenil Staviski, professor da Universiade Estadual de Londrina (UEL) e da Pontifícia Universidade Católica de Londrina (PUC). ''Depois da inadimplência, o governo é o maior responsável pelos juros altos cobrados pelos bancos'', resume o estudioso.
O spread, como explica Staviski, é a diferença que o banco paga para captar dinheiro da sociedade e por quanto ele vai emprestar. ''Se o banco oferece taxas de 10% para captar dinheiro, quando vai emprestar este dinheiro no mercado cobra 20%'', exemplifica, ao esclarecer que os 10 pontos percentuais a mais cobrado pelo empréstimo é o spread. As taxas para empréstimo para pessoa física, jurídica e para o cheque especial podem variar de maneira ''astronômica'' (veja quadro). O professor informa que os juros médios anuais no país, de uma maneira geral, estão na casa de 30%, enquanto para pessoa física o spread ficou na casa de 40% e para pessoa jurídica 18,9%.
A inadimplência bancária no Brasil, segundo o estudioso, tem como média 37%. Em tributos, o governo retira 19%, de cada R$ 100,00 emprestados pelos bancos, R$ 19,00 vão para a União (veja quadro). Staviski ressalva que os juros cobrados - menor, médio, maior - variam até pelos serviços comprados e depósitos feitos pelos clientes. Em tese, se o cliente usa mais o banco, em suas linhas de crédito e investimentos, teria taxas mais atrativas, pontua o economista.
O crédito só existe devido a poupança e ao poder de captação de dinheiro pelos bancos junto a sociedade, explica Staviski. No Brasil o crédito é escasso, como afirma, por causa da renda per capta anual brasileira de R$ 15 mil (ou US$ 6 mil), o que dividido em 12 meses daria cerca de três salários mínimos. O estudioso esclarece que a renda no país é baixa se comparada a países em desensolvimento e, ainda pior, se comparada a países europeus ou nações como Japão e China, cujo valor anual varia entre US$ 20 mil e US$ 30 mil por pessoa.
Staviski informa que o Brasil, por conta de sua baixa renda e poupança, empresta 42% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para pessoa física (consumidores) e apenas 19% para pessoa jurídica (empresas). Embora o PIB de 2008 não tenha sido divulgado ainda, estima-se que será 5% a mais dos R$ 2,59 trilhões verificados em 2007.
O economista assevera que em países europeus os bancos chegam a emprestar uma vez e meia o valor de seu PIB, ou seja, as intituições de fomento ao crédito chegam a emprestar 150%. Segundo ele ainda, o governo é o maior tomador de dinheiro no mercado, seja mediante títulos públicos ou empréstimos diretos na rede bancária, ficando atrás consumidores e as empresas.
A emissão pura e simples de dinheiro para ampliar o crédito, segundo o pesquisador, ocasionaria a volta da inflação. Ele vê como única saída, no longo prazo, o governo acelerar cada vez mais o crescimento econômico, apliando a produção e, consequentemente, a renda, a poupança, o consumo e o crédito.
O economista pondera que os bancos recebendo R$ 26,00 de cada R$ 100,00 que emprestam, ainda pagam por outros tributos e serviços não específicos às operações bancárias. ''Os R$ 26,00 ficam bem abaixo dos R$ 19,00 que o governo arrecada em tributos de cada R$ 100,00 emprestados pelas instituições financeiras. Os bancos têm outras contas para pagar'', resume.

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