Vigilantes podem ficar sem emprego no Paraná
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terça-feira, 04 de maio de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os 4,2 mil trabalhadores da Ambiental Vigilância, maior empresa no Estado no setor de vigilância, correm o risco de perder o emprego. A Ambiental alega que não recebeu cerca de R$ 700 mil das empresas que contratam os serviços de vigilância. O caso foi levado ao Ministério Público (MP) do Trabalho, que passou ontem a tarde inteira tentando intermediar uma solução.
Nova audiência vai ocorrer hoje porque não houve consenso entre as tomadoras de serviços, a maioria grandes empresas e bancos públicos federais e estaduais.
Os vigias denunciaram a Ambiental em função das irrregularidades nos contratos de serviços como os constantes atrasos nos pagamentos de salários, falta de pagamento de hora-extra, distorções no pagamento de férias e não recolhimento de impostos. Entre os vigilantes, tem funcionário que não recebe hora-extra há mais de seis meses e já acumula cerca de R$ 6 mil de atrasados.
Na audiência, representantes das principais tomadoras de serviço da Ambiental alegaram que não repassam o dinheiro porque a Ambiental não está apresentando as certidões negativas do pagamento de impostos, como determina a Lei das Licitações 8.666.
Para o advogado do Sindicato das Empresas de Vigilância do Paraná, José Paulo Damasceno Pereira, as empresas que oferecem os serviços terceirizados enfrentam problemas financeiros quando as empresas tomadoras se recusam a prever no contrato o pagamento do dissídio coletivo aos funcionários. ''Normalmente, as empresas trabalham com prejuízo se não houver o repasse do dissídio'', explicou.
Já o presidente da Federação dos Vigilantes do Estado do Paraná, José Soares, disse que as irregularidades trabalhistas nas empresas de vigilância acontecem com frequência. Segundo ele, as empresas jogam o preço do contrato para baixo para ganhar determinada concorrência e depois não conseguem manter os trabalhadores.
Conforme levantamento feito pela Federação dos Vigilantes, de 1990 para cá já foram fechadas mais de 50 empresas do setor. Soares salientou que muitas empresas são abertas, ficam operando durante dois ou três anos e depois fecham sem pagar os direitos trabalhistas aos funcionários.


