Vigilância procura leite interditado
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terça-feira, 06 de novembro de 2007
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A Vigilância Sanitária de Londrina iniciou ontem fiscalizações nos supermercados para verificar a venda de lotes de leite longa vida interditados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ontem, no primeiro dia de fiscalização, os técnicos não encontraram nenhum dos oito lotes que tiveram a comercialização proibida nos estabelecimentos visitados. A Anvisa determinou a retirada de circulação de lotes das marcas Parmalat, Calu e Centenário devido à adição indevida de água oxigenada e sódia cáustica no leite.
Segundo Maurício Barros, diretor de Saúde Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, somente a marca Parmalat é comercializada no mercado local e que os lotes interditados tiveram a comercialização concentrada em Minas Gerais, Goiás e São Paulo. Enquanto a adulteração do leite ganhou repercussão nacional nas últimas semanas, os supermercados do Paraná afirmam que o problema ainda não causou quedas nas vendas do leite longa vida. Além disso, alguns estabelecimentos já estão realizando promoções do produto, que registrou preços recordes até o início do mês passado.
Segundo o superintendente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Valmor Rovaris, a adulteração ocorrida em Minas Gerais não modificou os hábitos de consumo dos paranaenses. ''Os lotes interditados não foram vendidos no Paraná e, por isso, os supermercados não perceberam variações significativas nas vendas do leite longa vida. O máximo que aconteceu foram transferências de marcas'', informa. Sobre as promoções feitas pelos supermercados ele lembrou que o período é de safra e que mesmo antes das denúncias já haviam promoções.
O presidente da Regional Norte da Apras, Ademar Vedoato, também afirmou que as vendas do leite longa vida não foram reduzidas. ''Estamos em uma região privilegiada porque o produto adulterado não veio para cá. Por isso acredito que a maioria dos consumidores está tranquila'', observa. No entanto, o gerente do Supermercado Santarém, Francisco Costa, diz que as vendas do leite UHT caíram cerca de 10% nos últimos dias. Ele acrescenta que a comercialização do leite pasteurizado cresceu no mesmo índice.
Já os consumidores se mostraram apreensivos quanto ao consumo do leite longa vida. ''Ficamos preocupados e passamos a comprar o leite de saquinho (pasteurizado) e, mesmo assim, o consumo caiu em casa. Estamos tomando menos leite'', afirma a dona-de-casa Geralda Ferreira de Oliveira. A dona-de-casa Maria das Graças Oliveira Pinheiro adotou procedimento semelhante. ''A nossa saúde vem em primeiro lugar'', observa. Ela diz que trocou a marca consumida de leite longa vida.
Outra dona-de-casa Leandra Costa Ferreira de Miranda comenta que ficou preocupada mas, mesmo assim, continua consumindo o leite longa vida. ''Não dá para ficar sem tomar leite. O leite 'de caixinha' (UHT) é mais prático e gosto mais'', diz. A dona-de-casa Shirley Gomes conta que também se preocupou com a adulteração do leite, mas que não deixou de consumir porque a família tem preferência por uma marca local (que não está incluída nas denúncias). ''Em casa estamos consumindo (leite) normalmente'', afirma.


