Diante do foco de febre aftosa confirmado no Paraguai na segunda-feira, o Departamento de Fiscalização e Defesa Sanitária do Paraná (Defis) está adotando medidas em conjunto com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para proibir a entrada de animais, produtos e subprodutos de animais suscetíveis à febre aftosa vindos do Paraguai. De acordo com o diretor do Defis, Marco Antonio Teixeira Pinto, os veículos provenientes do país vizinho receberão um tratamento diferenciado para desinfecção na fronteira. ''Estamos aumentando a vigilância nas regiões Oeste e Noroeste do Estado para não haver ingresso do vírus no Paraná'', salienta.
Segundo o diretor, apesar da preocupação, a situação do Paraná é tranquila. ''O Paraguai possui interesse em acabar com o foco da doença o mais rápido possível, e já deixou de exportar carne. Além disso, a criação de uma zona de alta vigilância entre o Paraguai e o Mato Grosso do Sul também cria um cinturão de segurança para o Paraná'', argumenta. O rastreamento de animais vindos de outros Estados, principalmente de Mato Grosso do Sul, também será reforçado com avaliação clínica para identificar sintomas da doença.
Para intensificar a vigilância, agentes de outras regiões estão sendo transferidos para as barreiras sanitárias já instaladas na região de fronteira. Em relação à contratação de pessoal para o serviço, o diretor do Defis revelou que o Governo do Estado prepara uma mensagem a ser enviada à Assembleia Legislativa solicitando a criação da Agência de Defesa Pecuária. Segundo ele, a medida deve ser concluída em médio prazo. ''Para a Agência, devem ser contratados 1.200 técnicos, o que dará ao Paraná um poder de vigilância muito grande'', avalia.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Gustavo de Andrade Lopes, relata que esteve no Paraguai recentemente e conversou com autoridades locais. ''Pude perceber que o governo e as associações de produtores são muito interligados e que as medidas de controle são tomadas com rapidez, o que é importante nesse caso'', revela. Segundo Lopes, há mais de uma semana, quando o foco ainda não havia sido confirmado, Paraná e Mato Grosso do Sul já se movimentaram para coibir a entrada do vírus. ''O Paraná investiu rapidamente em infraestrutura para a fiscalização nas fronteiras'', afirma.
''Risco sempre há, mas o controle é bem feito e todas as medidas necessárias estão sendo tomadas'', observa Lopes. O presidente da SRP destaca a importância do envolvimento conjunto dos governos dos países do Cone Sul para promoverem uma ação coordenada que garanta a ausência da doença na região. Em nota, o presidente do Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Estado do Paraná (Fundepec), Ágide Meneguette, afirma que a confirmação dos focos de febre aftosa no Paraguai é uma oportunidade para testar o sistema de defesa agropecuário. Segundo ele, agora é o momento de dar resposta ao novo desafio, com apoio dos Conselhos de Sanidade Agropecuária (CSA).
Preocupação
De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC), José Antonio Fontes, o surgimento de um foco de aftosa próximo ao Paraná preocupa os pecuaristas, que ficam na dependência das ações de contenção. ''As medidas que estão sendo tomadas deixam a situação controlada, mas é preciso manter a vigilância e não abrir mão da segurança'', ressalta Fontes. Para o pecuarista André Carioba, a situação é preocupante e a decisão de deslocar fiscais nas fronteiras foi acertada para conter o avanço do vírus. ''É preciso agir com precaução e fazer um pente fino nas fronteiras para defender nosso patrimônio'', destaca.

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